Ditado antigo, de perder de vista, mas sempre atual. Não se mede importância ou valentia pelo tamanho. É preciso muito mais que o tamanho para ser útil, para ganhar respeito e confiança. Mas ainda há uma parte desprovida de intelecto que mede tudo pelo tamanho. É o caso de jornais.
Essa parte anencefalia da sociedade trata alguns jornais como jornalecos. Vamos por partes. O Pasquim, enquanto circulou, foi um combativo jornal a favor da volta da democracia. Era pequeno, um jornaleco, mas dava muito trabalho, tinha edições inteiras apreendidas e vez ou outra seus editores presos. Nunca se calou.
Outros jornais do mundo, importantes em seus países, também não fazem do tamanho seu termômetro. O conteúdo supera sua pequenez física. Nada contra os jornais grandes, de tamanho tradicional. Todos têm sua importância. E onde queremos chegar?
Aos semianalfabetos que se autoproclamam líderes, que se referem a publicações que não lhes agradam como jornalecos. Isso em público, em redes sociais, em discursos de botequim – isso mesmo, alguns são alcoólatras conhecidos. Em seu íntimo, gostariam de ter espaço para expor as asneiras que proferem.
Para justificar sua ausência no noticiário (afinal têm a mesma importância de uma ameba), apregoam que jornais – e isso vale para todos os jornais – só dão espaço e destaque a quem paga. Não é bem assim. Espaço é precioso e não deve ser desperdiçado com inutilidades e falta de ideias.
Berram, quando acuados por algum dicionário, que jornal tem de ser democrático e dar vez para todos. Concordamos, mas em partes. Não tivesse a imprensa alemã, por exemplo, dado voz para Hitler, nos anos 1920 e 1930, talvez não existissem Holocausto e Segunda Guerra Mundial. Então é dever de um jornal filtrar as informações e levar ao leitor o que é realmente de interesse e o que tem consistência.
E isso nos remete a uma história real que se passou há mais ou menos 30 anos. Um empresário vaidoso e tão ignorante quanto aos críticos atuais, queria ser entrevistado a todo custo. O problema é que ele não tinha o que dizer. Era vazio e podre como os críticos atuais. Numa cartada de desespero, sacou o talão de cheques e perguntou quanto custava. Nada, respondeu o jornalista. E o que é preciso para sair no seu jornal?, retrucou. A resposta dada na época também é atual – precisa merecer.





