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Jogador é acusado de usar aparelhos para roubar no pôquer

Um fantasma assombra o mundo do streaming de jogos de baralho: o da falcatrua. Há meses, Mike Postle, um dos mais bem-sucedidos jogadores profissionais de pôquer, está na mira de seus colegas de jogo. O motivo é que ele parece jogar bem até demais, sabendo exatamente em que momento dobrar a aposta, blefar ou sair do jogo.

A história começou no Twitch, plataforma de streaming de jogos. É lá que o cassino Stones Gambling Hall, de Sacramento (EUA), faz transmissões regulares de partidas de Texas Hold’em (estilo de jogo popular de pôquer) em tempo quase real. As imagens vão ao ar com um atraso de meia hora, para evitar que um jogador receba informações sobre as cartas do outro. Até mesmo os comentaristas veem a transmissão com atraso.

Foi nessas condições, há alguns meses, que Postle começou a impressionar a outros jogadores e o público do Twitch por seu estilo muito eficiente de jogo. Ênfase aqui em “muito eficiente”. Segundo o site de e-sports The Ringer, Postle costuma fazer US$ 1 mil por hora de jogo.

Com o tempo, porém, a admiração começou a virar desconfiança. Postle parecia quase sempre parecia saber quais as cartas de seus oponentes, e ter a contra-jogada certa. Foi ficando mais difícil botar tudo só na conta da sorte.

O sinal amarelo foi aceso após um duelo entre Postle e a vlogger de pôquer Marie Cordeiro. Em uma sequência de jogadas que deixaria um médium intrigado, Postle praticamente adivinhou a hora certa de parar de aumentar as apostas contra Cordeiro: logo após as cartas de sua rival ficarem melhores que as dele. Ao todo, o jogador fez US$ 21 mil só naquela noite.

Fogo amigo

Por ironia, quem levantou a lebre de que talvez Postle estivesse jogando sujo foi uma das jogadoras contratadas pelo próprio cassino para comentar partidas. No início, Veronica Brill até admirava o estilo do americano, mas não demorou muito para desconfiar dele.

Após a partida entre Postle e Cordeiro, em setembro passado, Brill comunicou à diretoria do Stones suas suspeitas. A empresa disse que investigou Postle e os envolvidos na transmissão do jogo, mas não encontrou nenhum sinal de trapaça. Inconformada, Brill procurou Joe Ingram, podcaster e youtuber de pôquer, com a história.

E foi assim, logo depois do youtuber ter acesso à história, que a internet da jogatina veio abaixo.

Jogo jogado

Um tópico sobre o caso no fórum do site de pôquer TwoPlusTwo já tem mais de 21 páginas desde que foi criado, em setembro deste ano, e até hoje pipocam novos posts ali. Os usuários postam centenas de horas de vídeos de transmissões antigas de Postle jogando no Stones, tentando identificar em que momentos é possível ver quando e como Postle rouba no jogo.

Depois de meses de barulho, a internet parece ter chegado a duas hipóteses populares, uma delas digna de filme de ficção científica. Postle teria conhecimento das cartas dos seus oponentes com antecedência por meio de:

  • a) seu telefone, guardado discretamente no meio das pernas dele enquanto joga;
  • b) um fone de ouvido escondido debaixo de seu boné, que treme para comunicar a ele por meio de sinais neurais a mão de seu oponente (avisamos que era coisa de filme)

Também pode haver um comparsa na história: Justin Kuraitis, empregado do Stones, diretor do torneio de pôquer online e responsável pela equipe técnica que transmite as partidas.

Após analisar horas e horas de vídeo, os “Xeroque Rolmes” da internet suspeitam que Postle teve várias mãozinhas de Kuraitis. Uma das provas, inclusive, é que Postle, não por coincidência, costuma perder mais nas ocasiões em que a transmissão não fica aos cuidados do diretor.

Cartas marcadas

Não é o primeiro escândalo de trapaça no pôquer. Em 2007, o site Absolute Poker teve de admitir que um usuário estava roubando no jogo após vários posts e análises de usuários do TwoPlusTwo indicarem ser matematicamente impossível um dos jogadores ganhar tanto sem ter conhecimento às cartas dos outros jogadores.

Pouco depois, um escândalo parecido e envolvendo mais usuários com acesso privilegiado foi revelado no site Ultimate Bet, que vem a ser da mesma empresa dona do Absolute Poker.

Aí veio a bomba: em uma gravação de 1994, o campeão do World Series of Poker, Russ Hamilton, admitia estar por trás da fraude no Ultimate Bet, e também dizia que combinou com a diretoria de encobrir a história. Ao todo, calcula-se que os jogadores vítimas do esquema de fraude no Ultimate Bet perderam mais de US$ 20 milhões.

É bem mais que os US$ 250 mil que se estima que Postle tenha ganhado. Mas aqui vale aquilo que todo fã de podcast de crimes não resolvidos já descobriu: se qualquer um pode tentar identificar e prender o bandido, pode ter certeza de que uma minoria barulhenta vai fazer isso.

Última cartada

Mais recentemente, Veronica Brill, quem primeiro denunciou o caso, e mais 25 pessoas entraram com uma ação na Justiça contra Mike Postle, o jogador mais sortudo do mundo (ou não mais), o Stones Gambling Hall e Justin Kuraitis, o diretor do torneio.

A ação acusa Postle & cia. de fraude, enriquecimento ilícito e negligência, entre outros crimes, cometidos entre julho e setembro deste ano. Caso ganhem, a ideia dos autores é dividir o dinheiro da ação entre criadores de conteúdo de pôquer, que estariam entre as supostas vítimas da fraude.

Se a Justiça decidir que Postle, o cassino e a empresa de streaming têm culpa, será o maior escândalo de fraude na história das transmissões de pôquer. Não só isso: Postle e o cassino terão de pagar US$ 10 milhões cada um.

Nunca o mundo do pôquer esteve tão ansioso para ver que cartas um jogador põe na mesa.

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