Assunto já deu nas tampas, mas…

Não se fala em outra coisa que não seja coronavírus. O assunto já deu nas tampas. Já encheu os piquás. Mas sempre é bom lembrar que o mundo já passou por outras situações – algumas bem piores que a atual. Notadamente o Brasil, terreno fértil para doenças por falta de seriedade do Ministério da Saúde, por pobreza e ignorância da população e pela ganância dos laboratórios.

A gripe foi descrita pela primeira vez pelo médico grego Hipócrates em 412 AC. Só para constar. O Brasil teve surto de varíola em 1563 – mas em 1980 a Organização Mundial da Saúde afirmou que a doença estava erradicada. A tuberculose deu seus sinais por nossa terra em 1549. Notícias da febre amarela: começou em Olinda (Pernambuco), com os escravos trazidos da África e chegou a Salvador (Bahia) em 1685. Em 1849 outra epidemia, no Rio de Janeiro.

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A peste negra, ou peste bubônica, começou em Santos, no porto, em em poucos meses chegou ao Rio de Janeiro. As primeiras notícias de dengue são de 1986 e se agravou em 1990. A doença ganhou proporção – em 2015 foram 1.649.008 casos registrados, com 754 mortes. O zika vírus apareceu durante a Copa do Mundo de 2014.

A primeira pandemia de cólera foi em 1991. A doença voltou nos anos 1990 – e quem não se lembra do vibrião colérico? A Ebola ainda está no Congo – neste ano há mais de 20 casos confirmados. O Brasil é o segundo país em número de casos de Hanseníase – são 30 mil novos por ano. Ainda no Brasil, 135 mil pessoas vivem com Aids sem saber que portam a doença, segundo o Ministério da Saúde.

E tem mais gripes nessa história. A aviária ainda está nas Filipinas; a gripe suína teve pandemia em 2009 e 2010, e matou 17 mil pessoas. A gripe russa (1889/1890) provocou 1,5 milhão de mortes. Até o imperador Pedro II contraiu a doença, mas se curou. A gripe espanhola (1918/1919) matou 100 milhões de pessoas. E até o presidente eleito do Brasil, Rodrigues Alves, morreu por causa dela.

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A gripe asiática (1957/1958) começou na China e fez dois milhões de mortos. A gripe de Hong Kong (1968/1969) provocou a morte de três milhões de pessoas. E em tudo isso, justamente agora, época de coronavírus, há outro detalhe: via de regra, pessoas de classes mais pobres possuem mais imunidade. São pessoas que tratam isso como resfriado, E um chá qualquer resolve.

Elas podem não se contaminar a ponto de adoecer, mas são transmissoras do vírus. E a empregada doméstica vem de que classe? O manobrista do restaurante é rico? O garçom que vai servir sua mesa é milionário? E os supermercados, fazem a correta higienização dos carrinhos onde todo mundo põe a mão? Não se descartam os cuidados, mas está havendo exageros.

É bom lembrar também que há algumas semanas tivemos o carnaval, onde tudo foi permitido. Promiscuidade de fazer inveja às antigas orgias gregas ou romanas. No carnaval não havia risco de contágio? Ou proibir carnaval seria impopular demais? Proibir futebol foi um bom teste – não houve revolta popular. Suspender aulas também foi impopular, mas a chiadeira foi limitada.

Com essa confusão toda, nem Hipócrates imaginaria o tamanho de sua descoberta. Nem imaginaria que, séculos depois, 30% dos alunos de Medicina da USP não querem ser médicos, e mesmo assim vão fazer o Juramento de Hipócrates. Hipócrates é uma coisa. Hipocrisia é bem diferente. E que venha a próxima gripe.

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