O Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de março, chama a atenção para os desafios cada vez mais urgentes da gestão dos recursos hídricos no Brasil e em outros países do Sul Global. Em meio às mudanças climáticas, que tornam os regimes de chuva mais imprevisíveis e intensificam períodos de estiagem, a eficiência no abastecimento deixa de ser apenas uma questão operacional e passa a ser um tema social e ambiental.
No Brasil, um dos principais entraves está nas elevadas perdas de água potável ao longo do sistema de distribuição. Segundo dados do Instituto Trata Brasil, o país perde 40,3% de toda a água tratada antes que ela chegue às torneiras da população. Em regiões como o Norte e Nordeste, esse índice ultrapassa 50%, evidenciando desigualdades estruturais e ampliando o risco de insegurança hídrica.
“Enquanto o planeta enfrenta as severas mudanças climáticas, caracterizadas por regimes de chuvas imprevisíveis e períodos de estiagem prolongados, o sistema de abastecimento brasileiro lida com um inimigo silencioso e devastador: as elevadas taxas de perdas de água potável”, explica Robson Costa, engenheiro ambiental e professor.
O problema envolve tanto perdas reais, causadas por vazamentos em redes e reservatórios, quanto perdas aparentes, relacionadas a falhas de medição, hidrômetros obsoletos e ligações clandestinas. “Esse cenário configura um paradoxo trágico em que a escassez na fonte é agravada pela negligência e baixa eficiência operacional na distribuição”, destaca o especialista.
“Na Região Metropolitana de São Paulo, por exemplo, dados da Sabesp indicam que o volume médio captado entre março de 2025 e março de 2026 ultrapassou 2,2 bilhões de metros cúbicos de água. Ainda assim, parte significativa desse recurso é perdida no caminho até o consumidor final. As consequências desse desperdício estrutural são profundas e multidimensionais, afetando diretamente o meio ambiente e a sociedade”, afirma o professor.
Do ponto de vista ambiental, o desperdício pressiona ainda mais os mananciais e aumenta o consumo de energia no bombeamento de água que não será utilizada. Já no aspecto social, os prejuízos financeiros impactam tarifas e dificultam investimentos na universalização do saneamento. “A solução passa por modernização e eficiência: a adoção de redes inteligentes, monitoramento digital e manutenção preventiva é fundamental para garantir segurança hídrica e sustentabilidade no futuro”, finaliza Costa.




