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sexta-feira, 6 março, 2026

Diabetes é maior entre mulheres, mostra pesquisa

A Vigitel 2025, pesquisa telefônica do Ministério da Saúde mostra que o diabetes teve alta de 135% entre 2006 e 2024. No período, a prevalência aumentou  de 5,5%  para 12,9%. No último ano,  14,3% das mulheres referiram diabetes  ante 11,2 da população masculina. De acordo como oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, diretor do Instituto Penido Burnier de Campinas e membro do CBO (Conselho Brasileiro de Oftalmologia) a mulher tem mais diabetes porque muitas enfrentam jornada dupla de trabalho, que somada ao sedentarismo, falta de sono e sobrepeso formam um verdadeiro coquetel Molotov no organismo

O oftalmologista  afirma que a visão flutuante e borrada é o primeiro sinal do diabetes. É causada pela diminuição da lágrima e oxidação do cristalino do olho.  Por isso, muitas pessoas descobrem  a doença durante uma consulta oftalmológica que deve ser anual, independentemente de sintomas. Isso porque, a maioria das doenças oculares são assintomáticas no início, e a visão perdida pode ser irrecuperável, especialmente quando o nervo óptico e a retina são danificados.

Queiroz Neto explica que o diabetes  é uma doença progressiva e aumenta em até 25 vezes o risco de perda a visão. Isso porque, no diabético quando a glicose entra no cristalino do olho parte é transformada em sorbitol;  o cristalino absorve mais água e a repetição desse processo leva à  oxidação da lente do olho. Por isso a catarata em diabéticos aparece mais cedo e, independentemente da idade,  a cirurgia deve ser feita para que a retina continue visível durante os exames.

“O diabetes provoca uma inflamação generalizada no organismo, desidrata,  altera o sistema imunológico e  a circulação, destaca. Por isso, com o tempo pode reduzir a quantidade e qualidade da lágrima e   provocar desconforto diante das telas decorrente do olho seco. Toda a circulação, inclusive dos delicados vasos sanguíneos do fundo do olho sofrem alterações. Por isso, toda pessoa que tem diabetes deve fazer exames oftalmológicos periódicos. Caso enxergue manchas escuras deve consultar um oftalmologista imediatamente ou muitas moscas volantes deve consultar um oftalmologista imediatamente, Isso porque, explica estas alterações podem estar associadas ao descolamento da retina, dedegeneração macular ou retinopatia diabética”.

 Tipos de diabetes

Uma evidência do maior risco de cegueira entra diabéticos foi comprovado por uma recente pesquisa desenvolvida em 41 países, incluindo o Brasil, pelo IDF (International Diabetes Federation),  IAPB (agência de controle da cegueira ligada à OMS)  e IFA ( International Federation on Ageing). A pesquisa mostra que metade dos diabéticos só são diagnosticados anos depois de conviver com a doença e quanto mais tardio o diagnóstico, maior a chance de perder a visão.

Pior: quase um terço, 31%, nunca recebeu informação sobre retinopatia e edema macular- decorrentes do diabetes, importantes causas de perda definitiva da visão entre pessoas de 20 a 60 anos. O oftalmologista destaca que no Brasil o primeiro diagnóstico de diabetes muitas vezes acontece durante um exame de fundo de olho porque o brasileiro não tem hábito de fazer check-up. A visão, ressalta,  responde por 85% de nossa integração com o meio ambiente. Por isso, determina a independência conforme envelhecemos.

Além das alterações na retina, o diabetes dobra o risco de contrair catarata, segundo um estudo realizado no Reino Unido com mais de 50 mil pessoas. Queiroz Neto explica que isso acontece porque os depósitos de glicemia nas paredes do olho somados às constantes oscilações dos níveis glicêmicos aumentam a formação de radicais livres e aceleram o processo de envelhecimento do cristalino, lente interna do olho.

O especialista afirma o adiamento da cirurgia é contraindicado porque torna o procedimento mais perigoso ao impedir o bom acompanhamento de alterações na retina causadas pelo diabetes – descolamento da retina, retinopatia diabética, formação de neovasos e degeneração macular Todas essas condições são emergenciais e devem ser verificadas por um oftalmologista imediatamente.

A hiperglicemia, observa,  também pode causar complicações cardiovasculares,  insuficiência renal, amputação e danos nos nervos decorrentes da má circulação. Por isso requer acompanhamento em conjunto de vários especialistas.

Tipos de diabetes

Queiroz Neto explica que 10% dos casos de diabetes são do tipo 1, ou seja, causada  por uma alteração no sistema imunológico que dificulta a produção de insulina pelo pâncreas. A falta de insulina, hormônio que transforma a glicose dos alimentos em energia, cria depósitos de glicemia no sangue. explica. O tratamento para reequilibrar o organismo é feito com reposição de insulina. “Nos outros 90%, o diabetes é do tipo 2 e resulta da resistência das células à insulina, desencadeada pelo estilo de vida e só em casos extremos é indicado o uso de insulina”, esclarece.

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