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quarta-feira, 4 março, 2026

Memória metabólica é desafio na luta contra a obesidade

Engana-se quem pensa que obesidade é só uma questão de peso na balança ou de aparência no espelho. A condição é reconhecida pela medicina como uma doença crônica, que envolve alterações persistentes no funcionamento do organismo. “A obesidade afeta hormônios, metabolismo, processos inflamatórios e os mecanismos que regulam a fome e a saciedade. Mais do que estética, trata-se de saúde, e está associada ao aumento do risco de doenças como diabetes tipo 2, hipertensão, infarto, AVC, apneia do sono e alguns tipos de câncer”, explica o médico especialista em clínica médica e endocrinologista do Hospital de Caridade São Vicente de Paulo, Caio Mazucante Guanais.

O desenvolvimento da obesidade é resultado de uma combinação complexa de fatores. Alimentação é apenas uma parte da equação. “Predisposição genética, alterações hormonais, qualidade do sono, estresse crônico, aspectos emocionais e comportamentais também influenciam diretamente. Não é uma questão de força de vontade, mas de biologia. Algumas pessoas têm maior tendência biológica ao ganho de peso”, afirma Caio.

Memória metabólica: um desafio

Mesmo após o emagrecimento, o desafio continua. Isso porque o corpo ativa mecanismos de defesa diante da perda de peso, um fenômeno conhecido como “memória metabólica”. “Ao longo da evolução humana, perder peso poderia significar risco de escassez alimentar. Por isso, o organismo interpreta essa redução como uma ameaça e ativa mecanismos de defesa: ele passa a gastar menos energia e aumenta os sinais de fome, favorecendo o reganho quando não há acompanhamento contínuo. Por isso, tratar obesidade não pode ser encarado como um processo temporário, mas como cuidado de longo prazo”, aponta o médico.

Saúde emocional

“O emagrecimento pode ocorrer mais rapidamente do que a transformação dos padrões emocionais. Muitas pessoas utilizam a comida como forma de lidar com ansiedade, estresse ou frustrações. Mesmo que o peso diminua, esses mecanismos emocionais podem continuar ativos. Por isso, tratar a obesidade vai além de contar calorias e inclui trabalhar comportamento alimentar e saúde emocional, garantindo mudanças sustentáveis”, orienta.

Diante da complexidade da doença, a recomendação é uma abordagem multidisciplinar, envolvendo médico, nutricionista, psicólogo e profissional de educação física. “A integração dessas áreas aumenta as chances de resultados duradouros e reduz o risco de recaídas. Afinal, quando o assunto é obesidade, o foco não deve ser apenas emagrecer, mas cuidar da saúde de forma contínua e integral”, explica o especialista.

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