publicidadespot_img
21.5 C
Jundiaí
sábado, 22 agosto, 2026

Demora em análise de remessa de canabidiol afeta pacientes

Há duas semanas, o radialista Diego Pelloso Lima, de 42 anos, acompanha as conquistas do tratamento do filho de 3 anos e 11 meses retrocederem. O sono da criança voltou a ser agitado, a agressividade retornou, assim como a dificuldade para se concentrar. Diagnosticado com autismo, ele utilizava canabidiol desde setembro, mas um atraso na remessa deixou o menino sem o tratamento. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária ( Anvisa), até a última terça-feira, 6, havia 1.462 processos aguardando análise, dentre eles, remessas de produtos da cannabis; por isso, uma força-tarefa foi montada para agilizar o trabalho de liberação do medicamentos no Aeroporto de Viracopos, em Campinas, no interior paulista.

De acordo com a agência, desde que o processo de importação esteja regular, o tempo atual de espera é de nove dias e meio após petição junto à Anvisa, mas há “uma entrada de remessas maior a cada dia”.

A situação também é impactada pela pandemia de covid-19. De acordo com a agência, o tempo para analisar um pedido – perseguido pelos técnicos – é de três a quatro dias, embora o prazo legal estipulado seja de até 60 dias. Esse prazo, inclusive, foi revogado diante da pandemia provocada pelo coronavírus.

Lima compreende a situação, mas sofre ao ver o filho, outras crianças, pacientes com câncer e outros que convivem com dor crônica, angustiados com a espera, perdendo avanços e sem outras opções de medicamentos no mercado.

“Tem outras pessoas que passam por situações piores, pacientes com epilepsia que estão tendo crises. Entrei em contato com as associações e, no começo de março, eram 70 famílias impactadas, Agora, são 600 famílias. A Anvisa está focada no coronavírus, mas não podemos arcar com a má-administração do órgão público. A gente não sabe para onde correr.”

O radialista acompanhou os benefícios do medicamento para o filho Jimi Monte Blanco Lima a partir do fim do ano passado.

“Ele é autista não-verbal e foi diagnosticado com 1 ano e sete meses. Faz acompanhamento com fonoaudióloga, psicóloga, terapeuta ocupacional. Com o tratamento, ele começou a falar com uma grande prateleira de palavras, porque já entendia muita coisa. Fala, canta, tem uma vida feliz.”

A última compra foi feita em 15 de março. No dia 22, o pedido chegou na Anvisa. “É um produto caro, tem a burocracia, tem toda a nossa organização, porque a gente sabe que não pode faltar. Ele está há duas semanas sem o óleo. Tendo péssimas noites de sono, fica falando. A alimentação está desregulada, porque não consegue sentar para comer, fica aéreo. Está agressivo, gritando.”

O investimento da família é de US$ 300 a 400 por frasco que dura um mês e meio. “Se eu pudesse, já compraria para o ano inteiro, mas é praticamente impossível. Minha vida é de classe média normal, é pesado separar essa grana, tenho ainda as terapias do meu filho, alimentos selecionados. Ele está indo para as terapias, mas não está funcionando. Todas as nossas terapeutas sinalizaram que a falta do medicamento está tendo impacto para ele.”

Cirurgião geral e intensivista, Laerte Rodrigues Júnior, que atua com pacientes com doenças inflamatórias intestinais, ansiedade e distúrbios do sono no Centro de Excelência Canabinoide, explica que o canabidiol é indicado para pacientes com epilepsia, dor crônica, autismo, ansiedade, doença de Parkinson e distúrbios do sono. A interrupção do tratamento faz com que a pessoa regrida a estágios anteriores e volte a ter sintomas.

“Dependendo do tempo que ficou sem, tem uma quebra do tratamento e é preciso recomeçar de uma dose anterior. No caso de autismo, dependendo do grau, o paciente vai piorar estereotipias, regredir na fala. Ao retomar o tratamento, demora a chegar na situação clínica que estava, no padrão anterior.”

Rodrigues Júnior explica que o primeiro passo para iniciar o tratamento é passando por uma consulta com médico experiente em prescrição do medicamento. Há uma medicação disponível em farmácia atualmente, mas, segundo ele, é a opção mais cara. A segunda opção é importar o produto, que vai precisar de análise e liberação da Anvisa. A terceira é a aquisição por meio de associações que produzem óleos artesanais.

Novo Dia
Novo Diahttps://novodia.digital/novodia
O Novo Dia Notícias é um dos maiores portais de conteúdo da região de Jundiaí. Faz parte do Grupo Novo Dia.

SUGESTÃO DE PAUTAS

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

PUBLICIDADEspot_img
publicidadespot_img
publicidadespot_img

Deixe uma resposta