Partido ficou indignado com tentativa do prefeito Marcelo Cecchettini de comprar apoio com nomeação
Há algum tempo os sinais de descontentamento com a política do prefeito Marcelo Cecchettini, de Francisco Morato. Conversas entre secretários e pessoal mais próximo do gabinete, vazadas acidentalmente, chegaram aos ouvidos do vereador João Carlos Barbosa Filho, o Joãozinho, do Partido da Mobilização Nacional (PMN).
Essas conversas traduziriam o desprezo do prefeito para com os vereadores, que, segundo essas conversas, “não precisavam se meter em nada na cidade”. Há um mês aproximadamente, o prefeito convidou o presidente do partido, Douglas Cavalcanti, para ser um super-secretário, com salário de quase R$ 20 mil por mês.
O convite aconteceu sem qualquer consulta ao partido, que entendeu o ato como uma tentativa de calar o partido e cooptar sua colaboração. Foi então que o PMN decidiu romper com o governo, e saiu atirando.
Joãozinho, vereador de 2º mandato, reeleito com 1341 votos, acusa o prefeito de descaso com os vereadores. “Ele não respeita, não responde, não dá a mínima para nosso trabalho”, diz o vereador. Sua afirmação tem fundamento – Joãozinho enviou mais de 180 indicações à Prefeitura. Nenhuma foi atendida.
“Temos um problema sério na rua Tapajós – explica Joãozinho – onde há uma cratera há quase quarenta anos. Havia um acordo com a Sabesp para resolver o problema, mas o prefeito mudou esse acordo, e a Sabesp fez obras em outros lugares, deixando a Tapajós de lado”, diz.
O vereador vai mais longe. Em Morato havia um programa de castração de cães e gatos, hoje desativado. “Consegui emendas parlamentares para o programa (dinheiro que deputados incluem no Orçamento do Estado), mas o prefeito não aceitou. O programa de castração está desativado há meses”, afirma.
Joãozinho cita outros descasos. Com a comunidade, ele construiu nove escadões na cidade, e pediu para a Prefeitura iluminá-los. Os postes foram colocados, mas até hoje não houve ligação de eletricidade. Outro caso é o entorno da Etec de Francisco Morato.
“Nossa Etec tem mais de mil alunos, explica o vereador, e seu entorno é de escuridão total. Conseguimos dinheiro do Estado para que fosse colocada essa iluminação, mas a Prefeitura não se mexeu, não mandou documentação. Quem sofre com isso são os alunos e suas famílias”.
Já o presidente do PMN, Douglas Cavalcanti, afirma que o rompimento se deu agora pois o partido sempre acreditou que tudo não passasse de mal entendido. “O PMN não fez oposição – afirma Douglas – mas também não firmou compromisso de apoio”.
Não dá para desprezar uma aliança assim. O PMN já teve três vereadores – hoje tem somente Joãozinho – mas em 2012 fez 9% dos votos válidos com 14 candidatos dos 24 possíveis. A previsão é que neste ano consiga 15% desses votos. Também foi do PMN o candidato a deputado federal mais votado em Morato em 2014.
Com rompimento, partido dá apoio a Darinho
Após romper com o prefeito, o PMN decidiu apoiar o pré-candidato Ordário de Souza Martins, o Darinho, nas eleições de outubro à Prefeitura. Darinho é do PPS e já contava com apoio do PSDC e Solidariedade. Com a vinda do PMN, além de já aumentar suas chances, abre a possibilidade de outros partidos também se aliarem do PPS.
“o PMN resolveu apoiar Darinho porque ele se propõe a fazer coisas simples, em todos os bairros de Morato, hoje abandonados pela Prefeitura, além de incluir nossas propostas em seu Plano de Governo”, diz Douglas Cavalcanti, presidente do partido.
Darinho, hoje vereador, não pode reclamar. “Desde que propusemos nossa pré-candidatura, há muitos pedidos de reuniões nos bairros, diz ele. O povo está vendo que temos uma proposta, e quer participar, opinar, pois queremos fazer o que é possível, o que é realidade”.
Nas próximas semanas deverá acontecer um encontro supra-partidário. Depois disso, o Plano de Governo, que já está recebendo colaboração voluntária de técnicos e da população, será finalizado para ser apresentado na campanha eleitoral. “Basicamente precisaremos cuidar da manutenção da cidade, melhorar o nível da Educação, cuidar da infraestrutura e usar intensamente os equipamentos públicos nos bairros, como escolas e quadras esportivas”, finaliza Darinho.





