No domingo passado os suíços precisaram votar uma lei proposta pelo governo, de dar o equivalente a nove mil reais a qualquer cidadão, morador da Suíça, trabalhando ou não, por tempo indeterminado. A proposta ainda daria pouco mais de dois mil reais às crianças suíças. E os suíços votaram contra. Não querem a mamata.
Japoneses têm uma espécie de seguro desemprego altíssimo. Mas japoneses desempregados não vão ao banco receber porque têm vergonha de serem parasitas da sociedade. Japão e Suíça não enfrentam grandes taxas de desemprego, mas os suíços, autores da proposta, argumentam que o trabalho está cada dia mais automatizado, e que isso vai resultar em desemprego.
Há 500 anos Thomas More escreveu o livro Utopia, onde havia uma proposta parecida. E nesses 500 anos sempre alguém tentou fazer alguma coisa socialista demais – tirar de quem tem, em forma de taxas e impostos, e doar a quem não trabalha. Nunca deu certo.
Imagina-se agora como os eleitores votariam se essa proposta acontecesse no Brasil. Nove mil reais por mês sem fazer nada. Já chega o Bolsa Família. No entender de parte do povo, uma justiça; no entender de outra parte, uma fábrica de vagabundos. Pelo tamanho das fraudes até agora descobertas, o Bolsa Família seria, nos moldes da Suíça, o paraíso da vadiagem, do ócio, da preguiça.
Já é assim. Margareth Tatcher (ex-primeira ministra inglesa), combatia esse tipo de socialismo com furor. E justificava: quando há alguém recebendo há alguém pagando. No caso, quem trabalha. Mas vamos chegar a outro ponto: o povo reclama dos políticos, que são ladrões, corruptos, desonestos.
O povo tem razão. Mas os políticos, quando são assim, o fazem porque o povo os quer assim. Ao serem eleitos, os políticos nada mais são que um extrato da população; refletem o que a população pensa, como age, e o que espera deles. É o velho ditado, de que os iguais se atraem.
Se aparecer algum político com discurso fora do tradicional, pregando honestidade e moralidade (de verdade, não só no discurso), jamais será eleito. O povo parece gostar de ser enganado. Talvez pelo gosto de poder reclamar depois.
Num país onde se faz trambiques com Imposto de Renda (injusto e pesado), onde se frauda seguro desemprego e bolsa família, onde se consegue clonar cartões de crédito com chip, onde se altera data de vencimento de alimentos, onde se falsifica remédios, esperar o que? Tudo, menos honestidade.
Voltando à Suíça: lá são 6,5 milhões de adultos e 1,5 milhão de crianças. Só para constar: 77% dos eleitores de lá votaram contra a mamata proposta pelo governo. Sinal que os suíços têm muito mais coisas boas que seu queijo e seu chocolate.





