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sexta-feira, 21 agosto, 2026

Variantes da covid-19 elevam o número de casos?

O aparecimento de cepas do novo coronavírus da covid-19 surge com muitas dúvidas. A preocupação mais evidente está nas variantes e mutações que podem impactar na transmissão da doença e gravidade.  

Monitoradas pela OMS (Organização Mundial de Saúde), as quatro principais variantes têm, em comum, a elevada capacidade de infectar pessoas, podendo levar ao chamado aumento da carga viral, ou seja, a quantidade de vírus que uma pessoa carrega no corpo. 

“As novas cepas têm uma melhor capacidade de aderir às nossas células. E o SARS-CoV-2 precisa invadí-las para se multiplicar no organismo. Como as variantes conseguem infectar mais células do hospedeiro, o vírus se replica mais. Se temos mais cópias, temos uma carga viral maior para contaminar os outros”, explica a infectologista do Instituto Emílio Ribas, Rosana Richtmann.  

Descoberta no Amazonas no final do ano passado, a variante gamma do vírus, colaborou para a chegada da segunda onda que o Estado enfrentou e, segundo a Fiocruz Amazônia, pode gerar uma carga viral até 10 vezes maior que o coronavírus original. 

Além disso, a quantidade de vírus no organismo pode interferir no exame PCR tradicional, desde que seja realizada por meio de uma análise mais detalhada em laboratório. A amostra é analisada em um equipamento específico, que envolve vários ciclos de análise. Porém, quanto menos ciclos forem necessários para identificar o vírus, maior será a carga viral da amostra. 

Vírus x casos

Especialistas apontam que cepas mais transmissíveis geram, consequentemente, aumento nos casos e hospitalização em uma população.  

Mas, alertam: as mutações do vírus não são as únicas responsáveis pelo aumento da transmissão. A flexibilização das medidas de controle sanitário, assim como o uso de máscara e distanciamento social, impacta na incidência de casos e óbitos, como o que aconteceu no Brasil nos últimos meses. 

Richtmann lembra, no entanto, que isso não significa que o vírus é mais letal. “As variantes de preocupação que predominam em uma região, são mais transmissíveis e matam mais, mas não por serem virulentas, mas pelo número de pessoas infectadas ser maior e, consequentemente, o de óbitos também.”

Um estudo publicado pela pelas revistas científicas The Lancet Infectious Diseases e The Lancet Public Health, em abril, apontou que a cepa alpha, embora mais contagiosa, não era mais grave e nem aumentava o risco de morte.

Apesar disso, sob a ótica da saúde pública, por aumentar o risco de contágio, eleva a quantidade de casos e, consequentemente, de óbitos.

Na prática, o quantitativo de vírus no corpo, seja do ponto de vista clínico ou como fator de controle de pandemia, não é tão relevante. “Às vezes a presença do vírus pode ser mínima, mas a doença evolui com gravidade. Da mesma forma que, a carga viral é alta e o paciente é assintomático”, conclui o infectologista Natalen Adiwardana. 

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