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quarta-feira, 28 outubro, 2026

Existe a cultura da violência contra a mulher. Quer ver?

Antes de tudo eu gosto de me situar e, ao fazer isto, não me resta outra coisa senão declarar o óbvio: eu sou macho – a espécie e não aquele macho adjetivo repugnante… Além de macho sou homem – gênero. Nasci macho, com a ajuda genética aprendi a ser homem e cá estou.
Por que esta introdução aparentemente desnecessária? Para dizer que este texto é escrito por alguém que só conhece na teoria a violência que se propõe a debater, afinal de contas só quem a sofre mesmo é quem é mulher…
Existe a cultura da violncia contra a mulher Quer ver? O fato é: existe a cultura da violência contra a mulher? Primeiramente: what is culture? De forma sintética, cultura são atos que incluem o conhecimento, os costumes e todos os hábitos e aptidões adquiridos pelo ser humano inserido em sociedade.
Mas podemos ir além… E a cultura em sua relação com o poder? José Luiz dos Santos, em um pequeno, mas importante, livro chamado “O que é cultura”, não deixou de apontar algo interessante: Não podemos discutir sobre cultura ignorando as relações de poder dentro de uma sociedade ou entre sociedades.
Segundamente: e violência? De forma sintética, a violência é algo que causa dano a outrem. De uma forma mais complexa, violência no sentido cultural são os atos adquiridos em sociedade, formados numa relação de poder […] e que causam, de forma legitimada, posto que praticada pelos que dominam, danos a outrem. Importante: quem é este outrem? As minorias, pessoas hipossuficientes na relação de poder econômica e ideológica.
“Em todas as espécies o macho é evidentemente superior à fêmea: a espécie humana não é exceção.” Olhemos na Bíblia: As mulheres sejam submissas a seus maridos, como ao Senhor, pois o marido é o chefe da mulher (Efésios 5:22,23). Vejamos Schopenhauer e Nietzsche: Não entendo como o homem pode amar a mulher, um ser inferior, de ancas largas, ombro estreito, cabelos grandes porque a mente é curta (Shopenhauer). Comparando no seu conjunto homem e mulher pode dizer-se: a mulher não teria engenho para se enfeitar se não tivesse o instinto do papel «secundário» que desempenha. (Nietzsche)
Tudo isto, infelizmente, só demonstra toda uma cultura de violência que há muito tempo vem chegando até nós – até que, em pleno século XXI, encontramos o Bolsonaro dizendo para uma mulher: não estupro você, pois você não merece…
A função da cultura é perpetuar atos, práticas e, principalmente, legitimar tais práticas e atos. Como as coisas são desconstruídas? A partir do diálogo e assumindo uma posição de ouvinte quando quem se sente constrangido pela cultura pretende falar. Fazendo isto estaremos dando um basta no Poder Simbólico, aquele poder que, como dizia Bourdieu, é invisível e exercido com a cumplicidade daqueles que não querem saber que lhe estão sujeitos ou mesmo que o exercem.
Por isto, meus amigos, que tal um exercício? Sempre que uma mulher falar que se sente ofendida por algo, que tal se a gente não revidar e escutá-la? A voz de quem sofre a dor é mais profunda do que as nossas vãs ideologias enraizadas pelo conforto de nossas posições.
WAGNER FRANCESCO
Teólogo e Acadêmico de Direito

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