Na semana passada, São Paulo e Rio de Janeiro tiveram movimentação atípica. Nada por conta de futebol, olimpíadas ou algum show de rock. O movimento se deu por causa das reservas em hotéis e motéis para o Dia dos Namorados, no domingo. Motéis criaram pacotes especiais, em suítes luxuosas, com diárias de R$ 5 mil. Diárias em termos. Período de 12 horas. Hotéis idem.
Por aqui também não faltaram promoções para o dia. Algumas apelativas até. Se houve ou não reservas é outra história. Mas houve filas em alguns. E isso traduz a cultura de haver necessidade de sexo entre casais de namorados no dia dos namorados. Não vale beijo, abraço ou botão de rosa. Tem de ter sexo.
O porquê disso é outra história. Mas tem origens confusas, misturadas e perdidas no tempo. Novelas de TV pregam que isso é bom e necessário. E muita gente vê novela. Filmes sobre histórias de traições estão se tornando comuns. E muita gente vê esses filmes. Meninas de 13 ou 14 anos hoje já comentam o que fizeram com seus namoradinhos no final de semana. No carro ou no muro, tanto faz.
Gravidez de adolescentes também são comuns, apesar do excesso de informações sobre seus riscos e principalmente como evitá-la. Meninas de 13 ou 14 anos não ficam gravidas por osmose ou por milagre do Espírito Santo.
Doenças deixaram de ser venéreas. Agora são sexualmente transmissíveis, tais a quantidade e a frequência com que aparecem nos consultórios médicos, apesar também de toda informação disponível. Apesar das unidades de saúde distribuírem preservativos à vontade. Basta passar e pegar. Não há limite.
Na Roma e na Grécia antigas, orgias sexuais faziam parte até de rituais religiosos. Era coisa normal tudo terminar em sexo. O Cristianismo colocou um freio no exagero pregando uma moral mais rígida. Mas o ciclo ao qual o mundo está preso fez ressurgir os bacanais, seguidos de outra onda moral, logo derrubada por mais liberalismo.
O ciclo atual é de liberdade geral. Há algum tempo havia a Aids para assustar, mas hoje pouca importância se dá a isso. A Aids não coloca mais medo em ninguém. Alega-se que é possível viver contaminado, bastando tomar os coquetéis de remédios. Logo virá outro ciclo.
Ninguém é contra o sexo. Mas o sexo está banalizado, está perdendo seu glamour, seu encanto. Há gente disponível demais para ele. Há homem querendo ser mulher a qualquer custo; há mulher querendo ser homem. Nada contra também. Mas se continuar assim, logo seremos como os cães – bastam dois se encontrar em qualquer esquina, farejar-se mutuamente e pronto. Feliz Dia dos Namorados. Para 2017.





