Soou como desastre, uma ofensa à honra nacional, uma catástrofe até a eliminação da seleção brasileira de futebol da Copa América. Comentaristas esportivos dedicaram espaços enormes procurando culpados. Só não foram mais fundo porque logo começam as Olimpíadas, outra pura perda de tempo.
Nem em 1966, quando a seleção foi eliminada da Copa do Mundo dos ingleses, houve tanto espaço para as lamentações. Mas infelizmente é assim que as coisas acontecem em nossa terra. O futebol é mais importante que as tramóias dos deputados e senadores; mais importante que a roubalheira do Petrolão e do Mensalão.
Espaços públicos, como bares e restaurantes, que têm televisão ligada o dia todo (com a conta de energia repassada para a clientela) mostram – quase todos – jogos e programas esportivos. Qualquer joguinho merreca, sem nenhuma importância, é transmitido ao vivo por canais especializados. E sempre há um bom número de idiotas assistindo.
Programas esportivos com comentários de todos os tipos proliferam nas tevês. E sempre tem gente vendo, ouvindo, comentando, discutindo. Calma lá! Será que ninguém parou pra pensar que essa gente que mantém tais programas no ar ganha rios de dinheiro, e por isso defendem com tanto ardor o futebol?
Pode citar qualquer um deles e observar seu patrimônio. Patrimônio construído à custa de futebol principalmente, com palpites e opiniões infelizes e até desastrados. Mas estão lá porque há platéia, há audiência. E audiência significa patrocínio, dinheiro.
A seleção brasileira ganhar ou perder jogos não muda absolutamente nada na vida dos outros. O Brasil conseguir medalhas nessas Olimpíadas (superfaturadas, diga-se de passagem) não foi fazer de um analfabeto um culto. Nem vai fazer aparecer dinheiro na conta corrente dos pobres mortais.
A Copa do Mundo de 2014, que aconteceu no Brasil, mostra bem quanta importância se dá ao futebol – nos dias de jogos da seleção havia meio feriado obrigatoriamente. Em outros países, isso nunca aconteceu. Mesmo os de tradição no esporte, como Itália e Alemanha. Há torcida, há comentários. Mas ninguém deixou de trabalhar por causa disso.
E isso interessa muito somente aos políticos, adeptos da política de pão e circo. Como o pão não é possível, que haja o circo. Funciona como anestesia. E assim, enquanto todos estão preocupados com o pênalti perdido, com o gol roubado, esses políticos aproveitam para roubar um pouco mais do bolso de todos.





