Crise no setor automobilístico reduz produção. GM toma dinheiro do BNDES e investe no México
A Placar mantém três fábricas voltadas exclusivamente a produzir peças plásticas para automóveis e caminhões, como painéis, lanternas, parachoques e outras. Uma está em Jundiaí, outra em Varginha (MG) e outra em Betim (MG). As três passam por dificuldades, uma vez que os fabricantes de automóveis estão vendendo menos.
Cada fábrica tem hoje mil funcionários. Todos estão apreensivos. Em Jundiaí, só neste ano, a empresa dispensou 400 funcionários. Os que ficaram não recebem mais vale alimentação e nem contam com plano de saúde – a empresa não está conseguindo pagar. E aí vem o dilema – manda mais gente embora pra manter o benefício?
E isso tem tirado o sono do presidente licenciado do Sindicato dos Plásticos, João Henrique dos Santos. O sindicato tem 14 mil trabalhadores em sua base, em nove cidades da região de Jundiaí. “Os trabalhadores já colaboraram como podiam – explica João Henrique – uma vez que houve dispensas, redução de jornada e corte de benefícios”.
Pra complicar a situação, a General Motors (fabricante da marca Chevrolet) desfez uma parceria que já durava 50 anos. E agora a GM quer retirar seus equipamentos da Plascar, como os moldes para injeção. “Oficiais de Justiça já estiveram na fábrica, mas os trabalhadores resistiram”, explica João. Problema: a Plascar quer receber antes uma dívida que a GM tem com a ela.
A Justiça, depois das encrencas, marcou nova data para a retirada desses equipamentos – 3 de julho. E a empresa tem outros projetos, como fornecer peças para a Scania. “Mas até isso se concretizar ela precisa sobreviver, passar pela crise”, diz João Henrique. Sem as peças feitas na Plascar, a GM deverá importar tudo do México – como as demais, ela empresta dinheiro do BNDES e investe fora do país.
Se o setor automobilístico vai mal, o da construção civil não está lá essas coisas. E novamente a bomba está estourando na mão do sindicato. É o caso da Astra, fabricante de plásticos para o setor. Com mais de dois mil funcionários em Jundiaí, ela demitiu e contratou nos últimos meses.
“O problema da Astra é o banco de horas – explica João. O trabalhador passou o ano passado inteiro pagando o banco de horas, e agora, em votação secreta, foi renovado o banco de horas. Os trabalhadores preferem perder um pouco do salário do que perder o emprego”. O compromisso da empresa é não demitir ninguém.
Mas nem tudo está tão mal. Os fabricantes de plásticos para a indústria de bebidas e de perfumes não pode reclamar. “Temos mais de 200 médias empresas no ramo de plásticos, e isso é um alento para os trabalhadores da categoria”, finaliza João Henrique.





