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segunda-feira, 17 agosto, 2026

Bacharel em direito vai às ruas em busca de emprego

Em busca de uma recolocação no mercado de trabalho desde que a pandemia teve início, o bacharel em direito, Rogério de Souza, de 51 anos, decidiu vencer a vergonha e o preconceito que sentia por conta da necessidade, criou um cartaz improvisado para pedir trabalho em frente à entrada de um shopping na Praia Grande, no litoral de São Paulo. 

Após uma frequentadora do empreendimento fotografar o homem segurando o cartaz e postar nas redes sociais, a postagem recebeu mais de 7 mil compartilhamentos. 

“Um homem sem dinheiro é um homem morto para a sociedade. Só por eu ter 51 anos, as empresas me negam trabalho. Eu não estou escolhendo nem o tipo de trabalho, posso ser até faxineiro. Meu sonho é voltar a trabalhar, conseguir fazer os cursos preparatórios para o exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e advogar. Quero poder ajudar pessoas que, como eu, se tornaram invisíveis para a sociedade”.

A vida de Souza foi marcada por dificuldades. Formado em ciências jurídicas e sociais pela Unimes (Universidade Metropolitana de Santos), seu pai era proprietário de uma residência onde a mãe trabalhava como doméstica, a abandonou assim que soube que ela estava grávida dele. 

“Não sei quem é meu pai. Minha mãe só dizia que ele não queria me assumir como filho. Quando eu tinha 11 anos, minha mãe engravidou da minha irmã. E, assim que ela nasceu, minha mãe veio a morrer. Ataque cardíaco, disseram”, revela.  

Bala no farol

Para juntar dinheiro, Rogério chegou a vender bala, água e bombons nos faróis. Muitas vezes deixou de comer para honrar compromissos mensais como a moradia. Quando a fome batia e sobravam moedas no bolso, o bacharel ia até o restaurante Bom Prato, uma iniciativa do poder público no combate à fome e que comercializa refeições a R$ 1,00.

“Nesse tempo de pandemia, eu andei a pé por toda a cidade de Santos e São vicente, distribuindo currículos, procurando os amigos. Nas poucas entrevistas que consegui fazer, a idade é sempre o empecilho; Eu já cheguei a ganhar R$ 7 mil, R$ 8 mil por mês quando era vendedor. Tinha muitos amigos. Mas depois que fiquei pobre, desempregado, todos sumiram. Uma vez me negaram R$ 5,00 para comprar pão”, diz Rogério. 

Assim que o desespero bate, ele teve a ideia de fazer o cartaz para pedir emprego, à mão mesmo, e ir para a porta do shopping em Praia Grande. Rogério admite que recebeu provocações de alguns frequentadores, assim como ajuda de outros. Com a ajuda conseguiu completar o montante do aluguel, mas ainda não conseguiu o tão sonhado emprego. (Fonte: UOL)

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