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sábado, 15 agosto, 2026

PCC usa coquetel como “arma” para matar dentro do presídio

A morte do preso Juliano da Silva Soares, de 36 anos, no último dia 26, na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau (SP), levantou a suspeita de que ele possa ter sido vítima do chamado “coquetel da morte”. Ele passou mal na cela 308 e foi atendido na enfermaria da unidade prisional, submetido a procedimento de urgência e transferido para a Santa Casa da cidade.

A mistura que foi batizada de coquetel da morte, mais no sistema prisional paulista é mais conhecido como “gatorade”, é uma mistura de cocaína, viagra e água e, quando ingerido, causa overdose. A fórmula foi criada pelo PCC (Primeiro Comando da Capital) em meados dos anos 2000 para matar os inimigos.

Soares morreu no dia seguinte ao que ingeriu o coquetel. Na cela ocupada por ele e outros quatro presos foram encontrados no ralo do banheiro 5,14 g de cocaína, 8,11 g de maconha, 14 comprimidos de cor azul, 20 de cor branca e quatro de cor verde, todos aparentando ser estimulantes sexuais.

Os presidiários Alexsandro Aparecido Bonifácio Santana, Carlos Ronaldo Correa, Deives Aparecido Manoel, Sidnei Oliveira da Cruz e Wanderlei Macambira de Brito foram isolados preventivamente em regime de cela disciplinar pelo prazo de dez dias.

Em nota, a SAP (Secretaria Estadual da Administração Penitenciária) informou que a direção da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau abriu procedimento de apuração preliminar para checar os fatos.

A mistura

A vítima da vez, era condenado a 62 anos e quatro meses por assaltos e latrocínio (roubo seguido de morte). Cumpria pena na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau desde 10 de novembro de 2009. Ele já havia passado por vários presídios e cometido ao menos dez faltas disciplinares graves no sistema prisional.

Até meados de 2003, o PCC adotou uma tática para matar seus inimigos. Trocou as facas afiadas feitas com ferros na prisão e o “kit forca” (banquinho e lençol para usar em enforcamentos) pelo “gatorade”.

Fatal, a mistura causa overdose. Em muitos casos, a vítima morre em menos de meia hora. O PCC desenvolveu essa técnica com um objetivo: evitar a responsabilização criminal dos faccionados envolvidos nos assassinatos dos rivais. Os exames apontam como “indeterminada” a causa da morte.

O plano foi descoberto em 2005, na Penitenciária de Iaras, em São Paulo, por um diretor de disciplina que, após apurar os presos José Feliciano de Lima, Antonio dos Santos e Luciano Alves de Souza encontrou mortos e a suposta causa seria overdose.

A farsa veio à tona após a morte de Roberto Cipriano, 33, em 17 de novembro de 2005. Na garganta, peritos do Instituto de Criminalística encontraram uma tampa verde semelhante a de um refrigerante. Daí surgiu o nome gatorade. Inimigos da cela o seguraram e o fizeram tomar à força o coquetel.

O detento teve o dente incisivo superior quebrado e ferimentos na língua e nos lábios. O exame necroscópico assinado por um legista do IML de Avaré apontou “causa da morte indeterminada”. O exame toxicológico acusou 0,3 g de álcool etílico (três decigramas por litro) no sangue de Cipriano.

Entre abril e novembro de 2005 outros cinco presos morreram da mesma maneira na Penitenciária de Iaras: Sérgio Luiz Fidélis, 32, Carlos Luciano, 36, João Alves de Lima, 37, Anderson Dantas Pungirum, 31, e Rodrigo dos Santos Cruz, 27 anos.

Fidélis era ligado a José Márcio Felício, o Geleião, e César Augusto Roriz Silva, o Cesinha, fundadores do PCC e expulsos da facção na sangrenta guerra de 2002. O exame toxicológico apontou positivo para cocaína no corpo dele. 

À época, toxicologistas do Hospital das Clínicas de São Paulo e da Faculdade de Medicina e Centro de Controle de Intoxicações da Unicamp disseram que o viagra dilata os vasos sanguíneos e se misturado à cocaína pode provocar falência cardíaca.

Os especialistas explicaram ainda que se a pessoa ingerir a droga e não tiver atendimento rápido corre o risco de morrer em consequência de overdose. Por falta de provas, o Ministério Público Estadual arquivou os casos das mortes suspeitas ocorridas em Iaras, no ano de 2005. (Fonte: UOL)

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