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sexta-feira, 14 agosto, 2026

Bispos denunciam Igreja Universal que tirava ilegalmente US$ 120 milhões de Angola

Os majestosos templos da  Igreja Universal do Reino de Deus, liderada pelo bispo brasileiro Edir Macedo, podem ter ruído após bispos denunciarem a retirada ilegal, a cada três meses, de US$ 30 milhões, de Angola para a África do Sul. Somados, por ano, os valores chegam a US$ 120 milhões. 

Apontado como o responsável por essa tarefa, o pastor e ex-diretor da TV Record África Fernando Henriques Teixeira, teria repetido a operação nos últimos 11 anos, desde quando o religioso brasileiro chegou ao país.

A denúncia foi feita à polícia angolana por bispos e pastores locais que se rebelaram contra a direção brasileira da Igreja Universal do Reino de Deus, no final de 2019. Eles confirmaram suas alegações a reportagem.

“A imagem para representar o que acontecia em Angola era a de um saco sem fundo: tudo o que entrava saía”, diz o ex-pastor angolano Tavares Armando.

Em nota, a assessoria de imprensa da Universal em Angola, desmentiu as acusações.

“É totalmente falsa esta questão. É totalmente sem fundamento. Isto é uma versão levantada por estes ex-pastores e pastores de dissidências com o objetivo de tomar a igreja. Eles criaram a sua versão a fim de tomar a igreja, uma vez que é um crime. Todas as ofertas da igreja são totalmente declaradas aqui para o Estado e a esta versão que os dissidentes levantaram é totalmente infundada”.

Escondido na mala

Fernando Henriques Teixeira atuou nos últimos anos apenas como executivo da TV Record África nos últimos anos. Mas ele teria obtido o visto e a autorização para entrar e trabalhar em Angola como pastor, segundo os bispos angolanos ouvidos pela reportagem.

A maior parte do dinheiro ilegal seguia de carro para Johannesburgo, na África do Sul, via estradas da Namíbia, de acordo com os denunciantes. Os dólares estariam escondidos em malas, no fôrro dos veículos e até em pneus.

Na sequência, Teixeira partiu de avião para a África do Sul. Instalou-se em um hotel e depois, recolhia o dinheiro o encaminhando para o líder da Universal no país, o bispo brasileiro Marcelo Pires, conforme os relatos.

Dali, o dinheiro seria levado a Portugal, muitas vezes pelo próprio bispo Edir Macedo, em seu jato particular, segundo as denúncias encaminhadas à polícia angolana. Macedo costumava viajar de Portugal à África do Sul, sempre após a realização da campanha da “Fogueira Santa”, momento em que as arrecadações de oferta na Universal atingem o seu ápice.

Altas somas em dinheiro da igreja também seriam repassadas para a Record África, sediada em Luanda, e dali para a Europa ou o Brasil.

Fernando Henriques Teixeira virou réu em maio na Justiça de Angola por lavagem de dinheiro e associação criminosa, ao lado do poderoso bispo Honorilton Gonçalves, ex-vice-presidente da TV Record no Brasil e até o ano passado líder da Universal no país africano; do pastor brasileiro Valdir de Sousa dos Santos; e do bispo angolano Antônio Pedro Correia da Silva, ex-representante legal da igreja e da Record no país.

O julgamento do caso Igreja Universal do Reino de Deus está previsto para começar hoje em Luanda. Os advogados ainda tentam adiar o começo do julgamento. (Fonte: UOL)

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