Assim como as profissões de piloto de avião, pedreiro e bombeiro, a área escolhida por Virgínia Pines, 38 anos, é predominantemente ocupada por homens: há um ano ela trabalha como motorista de ambulância no Serviço de Atendimento a Pacientes Especiais Crônicos (SAEC).
O fato de ver uma mulher nessas funções, causa uma certa surpresa e curiosidade. Neste dia da mulher, vamos conhecer um pouco mais das histórias vivenciadas por duas profissionais que atuam no SAEC.
A rotina começa com o check list da ambulância, que inclui revisão dos pneus, verificação de nível de óleo, lataria, motor e limpeza. A jornada é de 12 horas, dedicadas a transportar pacientes acamados para a realização de exames, hemodiálise, sessões de fisioterapia e outros tratamentos. No trânsito, o cuidado para garantir o conforto dos pacientes é o mesmo: evitar buracos, passar lentamente em lombadas e desviar com prudência de outros veículos.
“Levei sozinha uma paciente acamada e seu filho para casa. O outro filho da paciente quando viu que eu era mulher e estava sozinha solicitou que fosse solicitada outra ambulância, alegando que eu pudesse derrubar sua mãe. Ele se opôs a ajudar. Pouco depois, já com a mãe dele dentro de casa, pediu desculpas e disse: eu achei que você não fosse capaz”, relembra Virgínia.
Outra profissional que vivencia a mesma situação é Silvia Torturello, 50 anos. Ela conduz ambulâncias no SAEC há 12 anos. Mesmo sabendo dos desafios impostos pelo estigma de ser o “sexo frágil”, ela mirou no seu sonho de infância. “Desde menina eu sempre gostei de dirigir, aprendi com 12 anos. Minha paixão sempre foi os veículos grandes, por isso já dirigi van escolar, ônibus e quando cheguei aqui para dirigir ambulância me apaixonei”, revela.
No trabalho, tanto Silvia quanto Virginia, têm o apoio dos colegas e incentivo do chefe. “Somos tratadas com carinho e respeito, de igual para igual. O coordenador do SAEC, João Fioroti, – sempre nos deu muito respaldo. Mas nas ruas nem sempre é assim. Quando a gente chega, os pacientes e acompanhantes esperam que o motorista seja um homem e não uma mulher, acham que somos técnicas de enfermagem, mas nós fazemos o mesmo trabalho que os homens.
Silvia tem um casal de filhos já adultos, com 30 e 34 anos. Ambos se preocupam com a mãe e dão sempre um jeitinho de saber se está tudo bem, pois sabem que a rotina não requer somente habilidade, mas jogo de cintura diante de casos de machismo e falta de respeito. “Eles me ligam, mandam mensagens e estão sempre em contato. Sinto que eles têm muito orgulho de mim, já que enchem a boca para falar de mim”, conta com um sorriso.
Apesar dos desafios, tanto Virgínia quanto Sílvia, levam com bom-humor as situações relatadas, afinal, para elas, a direção é uma terapia. “Quando eu estou dirigindo, tiro totalmente meu estresse”, diz Silvia. Ambas definem a profissão de um jeito simples. “Motoristas de ambulância sim! Com muita honra!“.





