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terça-feira, 4 agosto, 2026

Mundo de mentiras

Desde que nascemos somos bombardeados com mentiras. Sempre foi assim, e sempre há algum interesse por detrás de tais mentiras. Talvez há séculos a humanidade tenha acreditado na teoria formulada pelo ministro da propaganda nazista Joseph Goebbels somente nos anos 1930: uma mentira contada mil vezes torna-se uma verdade. Pelo jeito ele tinha razão.

Podemos começar com uma mentira contada há muitos anos em época de Quaresma. Mentira espalhada por religiosos católicos, já temerosos da debandada de seus fiéis. Dizia-se que quem fosse dançar na Quaresma era castigado – nascia rabo, igual ao do diabo. E muita gente acreditava.

Mentiroso que fez fortuna mesmo foi John Davison Rockefeller, a ponto de, em 1917, se tornar o primeiro multibilionário da história. Ele fundou uma empresa de petróleo nos Estados Unidos, a Standard Oil Company. Para cobrar caro pelo petróleo, Rockefeller afirmava, com base em “estudos científicos”, que o petróleo era um combustível fóssil, resultante da decomposição de outras matérias. E sendo assim, poderia acabar a qualquer momento.

Não era, nunca foi. O petróleo sempre foi, e ainda é, um mineral. Sendo mineral, vai durar muito tempo ainda. Pode ser que um dia… quem sabe… mas até lá, continua sendo mineral. Mesmo com alguns jornalistas insistindo nessa teoria. Por ignorância talvez; ou por preguiça mesmo.

Outra mentira cabeluda nos Estados Unidos foi a 18ª Emenda à Constituição, em 1920, que estabeleceu a “Prohibition”, também conhecida como “Nobre Experimento”, e popularmente como Lei Seca. Senhoras pudicas e falsos moralistas da época entenderam que todo o mal do país estava no consumo de bebida alcoólica. Durante os 13 anos em que esteve em vigor, era proibido nos Estados Unidos a fabricação, o transporte e a venda de bebidas alcoólicas.

Para combater tudo isso, o FBI (Federal Bureau Investigation) se armou até os dentes. Contratou milhares de agentes. Foi quando a Máfia cresceu como nunca, valendo-se do proibido – fabricava, vendia e distribuia a bebida, e em muitos lugares, era dona dos bares e salões de diversões. Em 1933, concluindo que o efeito da proibição era nulo, a Lei Seca deixou de valer.

E então sobrou outro problema para o FBI, dirigido por J. Edgar Hoover. Hoover queria manter a todo custo o poder conquistado, assim como os agentes que poderiam ser despedidos de hora para outra. Não havia mais nada a combater. Espertamente, Hoover elegeu outro “inimigo público”, e com ele convivemos até os dias de hoje: a marijuana, que entrava nos Estados Unidos pelo México. Marijuana e maconha são a mesma coisa.

Hoje se sabe que a maconha não provoca euforia em quem consome. É praticamente um calmante, a ponto de já estar liberada para figurar na elaboração de alguns medicamentos. E assim, de mentira em mentira, o mundo vai vivendo. E mentindo muito.

Anselmo Brombal – Jornalista

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