Uma modalidade de furto comum na Europa e no Reino Unido, e que agora chega e se alastra no Brasil, graças ao aproveitamento dos hackers na vulnerabilidade da segurança do sistema de chave presencial “keyless”, que permite abrir a porta, dar partida no motor e levar em segundos carros equipados com essa tecnologia. As informações são do UOL.
Hoje, esta prática criminosa já chegou ao Brasil, onde praticamente a cada semana surgem relatos de novas vítimas. Em recente reportagem exibida pela RecordTV, duas unidades do Jeep Compass equipadas com sensor de chave são furtadas em questão de segundos.
Quinto veículo mais comercializado do País, o SUV da Jeep não é o único modelo sujeito a a esse tipo de furto, que no mercado já foi batizado de “relay attack”.
Os bandidos agem sempre em dupla: o primeiro carrega na mochila um dispositivo que “rouba” o código da chave presencial e o transmite para outro aparelho, que pode ser um smartphone com software específico. Com esse dispositivo, o segundo bandido, posicionado ao lado do automóvel, consegue destravar as portas, entrar na cabine e escapar com o carro.
Tudo acontece rapidamente, sem a vítima perceber, e a prática requer equipamentos facilmente adquiridos na internet, por um preço relativamente baixo.
“Estou certo de que esse é apenas o início de algo que vai se tornar muito maior no Brasil. A quantidade de veículos vulneráveis a essa técnica já é grande no País e irá crescer. Hoje é mais fácil furtar um carro keyless do que um convencional e isso fomenta esse tipo de ação criminosa”, destaca Ricardo Tavares, especialista em segurança cibernética.
Vulnerabilidade
As chaves presenciais utilizam um sinal de rádio emitido por meio de pulsos, que se comunica o tempo inteiro com sensores instalados no veículo.
Esse sinal contém um código de segurança que deve ser reconhecido pelo automóvel para liberar a abertura das portas e a partida do motor.
Segundo Ricardo Tavares, a tecnologia hoje utilizada pelas montadoras tem o mesmo princípio, contudo algumas marcas acrescentam “camadas” adicionais de segurança e criptografia.
“Existem carros que geram um novo código aleatoriamente sempre que o carro é trancado. Outros mantêm o mesmo indefinidamente. Por isso, se um veículo for recuperado após essa modalidade de furto, recomendo solicitar em uma concessionária a recodificação da respectiva chave”,
Na visão de Tavares, isso faz com que alguns modelos keyless sejam menos suscetíveis à clonagem do sinal do que outros.
“A responsabilidade é das montadoras, algumas das quais têm oferecido chaves presenciais inseguras”.
Questionada sobre os casos exibidos pela RecordTV, a Stellantis, dona da marca Jeep, informa que “o sistema de chave de presença com telecomando para abertura de portas e vidros é o mesmo utilizado por outras marcas e grupos automotivos no mundo inteiro. Não conhecemos falhas na tecnologia, mas estamos investigando para entender se houve algum problema.”
Como evitar
Existe uma solução relativamente simples e barata para se prevenir de ataques do tipo. É possível comprar na internet uma espécie de estojo no qual você coloca a chave do veículo dentro. Ele bloqueia o sinal de rádio emitido pela chave, impedindo que hackers ‘roubem’ o código
Outra solução, ainda mais acessível, é embrulhar a chave com papel alumínio, destaca Ricardo Tavares.





