No último fim de semana, alongado por causa do feriado da sexta-feira, quase três milhões de carros circularam pelas principais rodovias de São Paulo. Detalhe: principais rodovias de São Paulo. Então não foram levados em conta os carros que circularam por estradas menos importantes. Nesta semana há outro feriado, e agora na quinta-feira. O que significa que haverá uma pomposa e solene emenda – ninguém vai trabalhar na sexta.
Se no fim de semana passado foram esses quase três milhões de carros, as previsões das concessionárias para o próximo feriado – 21 de abril – é um pouco maior. Não que estejam preocupadas em facilitar a vida do motorista. Já estão calculando o quanto seus pedágios irão extorquir de quem pretende passear um pouco.
E por que um feriado em 21 de abril? Para comemorar a Inconfidência Mineira, cujo protagonista e bode expiatório foi Tiradentes. Importante? Talvez. Só que 22 de abril, o dia em que o Brasil foi descoberto, o dia em que nasceu, não tem nenhum tipo de comemoração. Nadica de nada. E assim são tratados outros fatos memoráveis de nossa história.
São Paulo tem seu feriado, o 9 de Julho, que relembra a Revolução Constitucionalista de 1932. Os demais feriados considerados cívicos são o 7 de Setembro, da Independência, e o 15 de Novembro, da Proclamação da República. Proclamação uma ova. Foi um golpe militar contra o imperador, que a história tratou de florear.
Os demais feriados são ou religiosos ou de perfumaria. Mas são um ótimo pretexto para o sofrido povo, que tanto reclama de pagar caro pela gasolina, que tanto chora com o preço dos pedágios, tratar de entupir as estradas. E depois de passar horas em congestionamentos, se for à praia está mais ferrado ainda. No último fim de semana, por exemplo, a cerveja Heineken estava sendo vendida a R$ 22 em qualquer boteco fuleiro. Caipirinha de vodca, R$ 30.
Se a dose se repetir, podemos calcular que em dois fins de semana tivemos seis milhões de carros nas estradas. Se cada um consumir o equivalente a R$ 150 em combustível, serão gastos 900 milhões de reais. E sabe o que vão dizer? Que isso movimenta a economia. Movimenta mesmo: sai do seu bolso e vai parte para a ganância do governo e outra parte para a ganância de alguns comerciantes. Bom feriado.
Anselmo Brombal – Jornalista





