Ministério Público denuncia nove, incluindo secretário estadual, por improbidade administrativa
Antes vazia, a Linha 5 – Lilás do Metrô de São Paulo é atualmente a segunda mais cheia da cidade. Apesar disso, 26 trens novos que começaram a sair ainda em 2013 da fábrica nunca foram usados para desafogar o fluxo de pessoas. Segundo o Ministério Público do Estado a compra das composições que nunca transportou sequer um passageiro envolve problemas de planejamento e de incompatibilidade tecnológica.
Na semana passada, o MP denunciou nove pessoas por improbidade administrada, entre elas o atual e o ex-secretário de Transportes Metropolitanos do Governo Alckmin, Clodoaldo Pelissioni e Jurandir Fernandes. Agora, cabe a Justiça decidir se a petição dos promotores é válida. Se a resposta for sim, eles se transformarão em réus e serão julgados pelo caso. Não há prazo para que isso aconteça.
Em março, 10 trens ainda não haviam saído da fábrica de Hortolândia, no interior do Estado, e outros 16 estão estacionados em um pátio do Metrô, onde já foram alvo de depredações. Ao todo, eles custaram 615 milhões de reais e é esse montante que a Promotoria pede que seja devolvido aos cofres públicos, além de mais 30% de multa por danos morais, totalizando 800 milhões de reais. O caso dos trens é alvo de investigação dos promotores desde setembro de 2015, quando foi denunciado.
Segundo o promotor Marcelo Milani, autor da denúncia, as composições estão perdendo a garantia, tem tecnologia diferente da que funciona na Linha 5 atualmente e possuem bitolas (largura entre os trilhos) diferente de todas as outras linhas da cidade. Segundo funcionários do Metrô, os trens funcionam em CBTC, uma tecnologia capaz de encurtar o intervalo de circulação, e assim aumentar a eficiência do sistema. O problema, apontavam, é que a linha ainda opera com em outro sistema, o ATC, o que torna impossível a circulação dos novos trens.
“Esses trens já estão parados há dois anos, já estão perdendo a garantia. Tudo que está colocado naquele trem, principalmente em questão de eletrônica, de funcionamento, não vai ter utilidade”, afirma Milani, levantando outro problema apontado pela denúncia: o da defasagem tecnológica.





