Diziam alguns antigos que há pessoas que quanto mais estudam mais burras ficam. Burrice seria o genérico para tudo, principalmente para a idiotice. Essa gente tinha razão. A cada dia, em que pesem informações, tecnologia, esclarecimentos, nos tornamos mais idiotas. Talvez já tenhamos atingido o grau máximo.
Pessoas – e não são poucas – passam horas em frente à TV vendo, torcendo e chorando com novelas. Outras ainda embarcam nos apelos de ligar ou votar pela Internet em determinado personagem de Big Brother – as mesmas que votam em outros idiotas para serem seus governantes. Admiramos pessoas que passaram pelo Big Brother como fossem sumidades, e mal dos males, criamos a profissão ou o rótulo de ex-BBB.
Há os que também fazem questão de manter sua programação de fim de semana variando de um para outro jogo de futebol. Os que acompanham essa droga pela TV dispensam mulher e filhos para abraçar a cerveja, o amendoim e os amigos na sagrada hora do futebol. E assim fazemos de outros ignorantes, habilidosos com uma bola, heróis nacionais.
Também louvamos a selvageria do UFC, elevado à categoria de esporte. Dois marmanjos se esmurrando até sair sangue se tornou esporte. Ganham bem para apanhar ou bater porque há gente mais ignorante que eles que paga por isso.
Aderimos ao modismo de filmes e novelas. Se determinada atriz usar uma blusa, um vestido, um sapato, nós copiamos. Corremos às lojas para ter um igual, por mais ridículo que seja. Fazemos carnês infindáveis para estarmos em dia com a moda. Para não sermos vistos como atrasados ou até alienados.
Acreditamos em pastores que querem nos levar ao Paraíso. Cobram pedágio por isso, mas pagamos crentes de estarmos redimindo nossas almas – uma injustiça, pois quem ganha mais contribui com mais, e então logo sua alma estará redimida, longe do inferno ou do limbo. Acreditamos que um copo d´agua em cima do aparelho de TV será abençoado por esses pastores, e que depois alguns goles curarão os males do corpo.
Acreditamos até em gente que jura haver reencarnado Jesus Cristo, e que se apresenta como Inri Cristo, vai à TV, dá entrevista e consegue fazer único milagre – engordar sua conta e se tornar celebridade. Oremos por sua breve crucificação.
Exibimos, orgulhosos, etiquetas nas roupas como bônus por havê-las comprado. Não basta usar determinado jeans. Precisa ter a marca, agora grife, para que outros idiotas nos admirem. E pagamos caro por isso. Compramos bolsas gigantescas (mas isso só vale para a mulherada) para transportar uma carteira, um celular, uma escova de cabelos, um batom e um molho de chaves.
Mandamos nossos filhos para a escola com uma mochila pesada, insuportável, sabendo que logo precisarão de um médico para tratar coluna; compramos carros do ano porque o nosso, do ano passado, teve a lanterna modificada, ou ganhou um friso na tampa do porta-malas.
Idiotice não tem limites. Agora muitos de nós estão caçando pokemons com seus celulares. Tudo porque um idiota maior inventou uma forma de nos tornar mais idiotas do que já somos. Há gente sendo atropelada por causa disso. E assim, chegamos ao grau máximo. Por ora.





