Filme feito originalmente em 1959 teve Charlton Heston, ganhou 11 Oscars e cansou de fazer sucesso
Os tempos são outros. Em 1959, quando foi lançado, Ben Hur seguiu a tendência do politicamente correto da época: as cenas onde aparecia Jesus não eram mostradas de frente – coisa vista como provocação – e somente pelas costas, e mesmo assim com todos os cuidados. Agora Bem Hur ganha outra versão para o cinema, e Rodrigo Santoro é o personagem Jesus.
Bem Hur teve em 1959 um dos maiores orçamentos da época. Valeu a pena – ficou com 11 Oscars. A refilmagem de Ben-Hur que estréia no Brasil na quinta-feira (18) explora as emoções do Messias em profundidade, num desempenho excelente do ator Rodrigo Santoro.
Isso explica a abordagem de Jesus como homem comum, que apenas dava um exemplo de bondade por onde passava. “Para humanizá-lo, buscamos até um coloquialismo em sua maneira de falar”, diz o ator.
A trama é fiel ao livro de Lew Wallace que se passa no século I. O nobre Judah Ben-Hur (vivido por Jack Huston) é escravizado pelo comandante romano Messala Severus (Toby Kebbell) e acusado injustamente de traição. Seu desejo de se vingar se realiza em uma corrida de bigas no Circo Romano – agora filmada de maneira ainda mais eletrizante.
A presença de Jesus também segue o roteiro da primeira produção, embora com diferenças nessa refilmagem: o momento da crucificação, por exemplo, mostra a figura de Cristo em detalhes. No Ben-Hur original, estrelado por Charlton Heston, a câmera é posicionada atrás da cruz, registrando apenas os rostos das pessoas diante do crucificado.
Exibir o sofrimento de Jesus seria polêmico na ocasião, quando imperava o Código Hays. Criado por Hollywood, esse conjunto de regras pregava que Jesus tinha de ser tratado com reverência, o que levava cineastas e atores a se autocensurarem e serem pouco criativos.
Na nova versão de Ben-Hur, Santoro enfrenta a difícil missão de expressar a dor de Jesus crucificado. “Dois dias antes de rodar a cena, entrei em crise. Como poderia externar todo o sentimento do mundo?”, questiona o ator, que passou por uma sessão de maquiagem de seis horas – na noite anterior à filmagem nevou na cidade italiana de Matera, locação das filmagens.





