O governo estuda seriamente a liberação dos bingos e cassinos – da jogatina em geral – porque sabe que está perdendo dinheiro. Os jogos nunca estiveram tão escancarados como agora. O pôquer, por exemplo, nem é mais considerado jogo – passou a ser esporte. Liberou geral.
Geral em termos. Como tudo o que vem de cima precisa ser visto com mais cuidado, uma suspeita já apareceu. Os nossos queridos políticos afirmam que para liberar o jogo é preciso criar um órgão regulador. Uma espécie de Agência da Jotatina. Assim como há agências para tudo – e emprego para todos os afilhados – a jogatina também precisa de uma específica.
Criada essa agência, haverá um diretor geral, alguns vice-treco de vice-coisa, secretários e funcionários. Todos indicados pelo partido que for agradado (em troca de votos) para comandar a agência. Resumindo: outro cabidão de empregos.
Lembra muito a história do funcionário que reclamava que tinha muito serviço. De tanto reclamar, a empresa lhe deu um auxiliar. Assim que o auxiliar chegou, foi-lhe passado todo o serviço – e o funcionário antigo passou a mandar somente. Tempos depois era o auxiliar que reclamava. E tanto reclamou que foi lhe dado também um auxiliar, que imediatamente recebeu todo o serviço.
Meses depois, o que era feito por um continou sendo feito por um – o último que chegou à seção. Os demais, anteriores, já tinham seus cargos. Um era gerente, outro sub-gerente, outro chefe da seção, outro supervisor, outro encarregado. E só um trabalhando de fato.
Na prática, essas agências são mais ou menos isso. Um chefão pra mandar, alguns chefetes para lhe puxar os testículos e um mundo de gente entendendo de tudo mas não fazendo nada. Para exemplificar: qual foi a última vez que se ouviu falar que fiscais da ANP (Agência Nacional do Petróleo) flagraram gasolina adulterada?
Ou será que todos os postos e distribuidoras de combustíveis se converteram à pureza da Bíblia e resolveram parar de adulterar a gasolina? Vira e mexe a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) descobre algum produto irregular. O último foi extrato de tomate com pelo de rato. Descobre em termos – só se mexe após denúncia. Mas seria só isso que existe de errado com alimentos?
Será que ninguém desconfia de carne barata, só vendida em peça? Passa pela cabeça de algum fiscal que essa carne já estava começando apodrecer e que foi tirada somente a camada artificial por causa do aspecto?
Como tudo por aqui se resume em cabides para pendurar mais gente (os apadrinhados, bem entendido), logo essa Agência da Jogatina poderá ser desmembrada em outras agências. A do baralho, a do jogo do bicho, a dos bingos e a dos cassinos. Mais diretores e mais chefetes a serem sustentados com dinheiro dos nossos impostos.
E nem se tocou no assunto das licenças para esses bingos e cassinos. Ou será que tudo será feito claramente, sem a tradicional propina. Propina? Isso é fantasia, coisa que inventaram para denegrir políticos. Aqui todo mundo é sério. Da Agência da Seriedade.





