publicidadespot_img
19.4 C
Jundiaí
quarta-feira, 21 outubro, 2026

Editorial: Não se faz pai como antigamente

Quem saiu de casa no último domingo pode observar algumas cenas que, à primeira vista, pareciam gestos de amor e ternura. Mas uma observação mais fria, mais detalhada, deu a noção do tipo de pai que existe hoje. Logicamente que há muitas exceções, mas boa parte é o pai de bolso – aquele que compra o carinho dos filhos.
Vejamos. Há cinquenta anos, por exemplo, Dia dos Pais era dia de almoço em família, de abraços sinceros. Não só o Dia dos Pais, mas quase todos os domingos ou fins de semana. Havia o sacrifício da mãe no fogão, às vezes ajudadas por noras prestativas. Hoje o almoço precisa ser necessariamente fora de casa.
Reflexo de uma situação doméstica – pais (e isso inclui a mãe) não têm mais tempo para seus filhos. Para muitos, o trabalho consome as energias. Para outros, há jogos de futebol mais importantes que uma conversa com filhos.
Nas escolas, são comuns as queixas do professorado de pais que não têm a mínima noção da educação de seus filhos. Não estudam, não fazem dever de casa, e quando o pai ou a mãe é chamado, revolta-se. Não entende que o professor está chamando sua atenção para um problema que só se agrava com o passar do tempo.
A situação doméstica é grave. Muitas crianças são criadas por avós, trazidos para a casa para engordar o orçamento com sua aposentadoria. De quebra, ainda, se derretem inocentemente pelos netos. Outras crianças passam o dia com videogames – para os pais, o importante é não incomodar sua zona de conforto.
O conceito de família há muito tempo foi pro espaço. Os abrigos para menores estão sempre lotados por falta de alguém que deles cuide. Não aprendem nada. Ao contrário, só aumentam a revolta por se verem jogados num mundo sem piedade e sem noção de valores.
Pra complicar ainda mais existe hoje uma praga chamada telefone celular. Existem outras pragas, como Facebook e Whatsapp. E o que se vê em mesas de restaurante são pais e filhos entretidos em mensagens e postagens. Ninguém conversa, ninguém troca uma palavra sobre qualquer coisa. Esse isolamente acontece também entre jovens casais de enamorados. Sentam-se, cada qual em seu canto, e passam o tempo todo no celular.
Dizem que isso é modernidade, sinais dos tempos. Dizem que é a evolução do ser humano. Não dá para engolir uma afirmação dessas. Por mais que os técnicos se esforcem jamais conseguirão criar algo que substitua um abraço ou um beijo.
Para compensar tanta indiferença, há também os filhos mal criados, pelas babás ou pelas avós, que mal sabem o significado de ter um pai ou uma mãe. Mas um dia, certamente, estarão chorando ao lado de um caixão num velório qualquer.

Novo Dia
Novo Diahttps://novodia.digital/novodia
O Novo Dia Notícias é um dos maiores portais de conteúdo da região de Jundiaí. Faz parte do Grupo Novo Dia.

SUGESTÃO DE PAUTAS

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

PUBLICIDADEspot_img
publicidadespot_img
publicidadespot_img

Deixe uma resposta