Os bancários estão em greve desde o começo do mês. Por enquanto nada mudou. Quem tem um mínimo de dinheiro nem percebeu que está acontecendo uma greve. Há à disposição os caixas eletrônicos, as lotéricas, a Internet e o costumeiro jeitinho. A greve está prejudicando aposentados, desempregados em busca do seguro desemprego ou do Fundo de Garantia e ninguém mais.
Mas está prejudicando. É uma greve insensata, inócua e inútil, marcada mais uma vez pelo radicalismo de alguns dirigentes sindicais que ainda vivem como se estivessem em décadas passadas. Dirigentes que manobram assembléias quase vazias e que ainda encontram espaço na mídia para apregoar as asneiras que passam por suas cabecinhas.
Nesse tempo – da greve de fumaça – ninguém deixou de pagar contas, o dinheiro continua circulando, e apesar da teimosia desses dirigentes sindicais, a vida continua. Lembra-se da greve quando se passa em frente ao banco, com adesivos avisando sobre a greve e meia dúzia de desocupados, pendurados em sindicatos, impedindo a entrada dos que querem trabalhar.
Alguns desses bate-paus ainda têm a ousadia de tentar explicar à clientela os motivos da greve. Não explicam. O discurso é de ranço, vazio em idéias e objetivos. Os banqueiros ganham muito, alegam, mas é bom lembrar que os banqueiros vendem o que há de mais valioso nos dias atuais – eles vendem dinheiro, em forma de crédito, empréstimos, financiamentos. Cobram por isso.
Os sindicalistas que comandam a greve de fumaça escolheram a dedo quando fazer greve – um mês antes das eleições em todas as cidades brasileiras. Erraram feio. Achavam que os candidatos, em campanha política, fariam pressão sobre os banqueiros para ceder à extorsão dos sindicatos. Até agora não conseguiram nada.
Bancários, de fato, somos nós. Nosso trabalho é ir até a agência e abrir a conta. Talão de cheques vem pelos Correios – quando não fazem greve também. Depósitos e saques são feitos em caixas eletrônicos. Transferências e pagamentos são feitos pela Internet. E somos nós que precisamos cuidar do cartão de crédito ou débito, decorar senhas e procedimentos.
Têm razão os bancários quando se queixam de condições de trabalho, das metas até exageradas. Mas querer entrar na bolada do lucro como querem já é exagero. Querer aumentos absurdos não é coerente. Querem participar do lucro, mas nem querem ouvir falar de pagar algum tipo de prejuízo. Esquecem-se que o bônus sempre está acompanhado do ônus.
A greve fumaça expõe também outras questões. Por exemplo – quem paga os bate-paus que ficam nas portas de bancos? Quem arca com a alimentação e transporte dessa gente? Certamente os sindicatos.
Se resolverem negociar novamente, esses mesmos sindicatos irão exigir dos banqueiros que sejam pagos os dias não trabalhados. E certamente haverá juízes do Trabalho a lhes dar sentenças favoráveis. Incoerência ao extremo, a de ganhar sem trabalhar e ainda prejudicar a empresa (no caso, o Banco) impedindo a entrada de clientes e funcionários.
Culpa-se a legislação trabalhista pela situação absurda, pela força (?) desses sindicalistas de araque. Em partes a legislação é responsável, é pródiga demais em relação ao empregado. Mas o pior de tudo é a cultura reinante de avançar no dinheiro alheio. A greve, embora seja só de fumaça, está mais para extorsão do que propriamente um movimento de trabalhadores. Que continuem tentando.





