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domingo, 18 outubro, 2026

Editorial: Os filhotes de Fernando Collor

No meio de 1987, o então governador de Alagoas, Fernando Collor de Mello, resolveu afrontar de vez o moribundo governo do então presidente Sarney. Chegado a gestos teatrais, Collor posou para a revista Veja em frente ao Palácio do Planalto mostrando os bolsos vazios, como forma de mostrar que os governos estaduais estavam à míngua.
Começava aí sua pretensão de ser presidente da República. Sem um partido que se submetesse à sua vontade, típica de coronel e jagunço, Collor montou o PRN e se lançou candidato a presidente. Conseguiu que Itamar Franco, do PMDB, fosse seu vice. Foi uma explosão. Collor passou por cima de figuras tradicionais, como Ulisses Guimarães e Leonel Brizola.
Discurso treinado – falava como um robô programado para iludir a população – Collor subiu nas pesquisas. Mostrou-se um jovem valente, destemido, que prometia acabar com os marajás. Era uma novidade. Tinha cacife para colocar muito dinheiro na campanha eleitoral. Usava jatinhos e fazia teatro por onde passava. O dinheiro, soube-se depois, vinha das coletas criminosas de seu caixa, PC Farias.
Bonitão, Collor conquistou o voto feminino. Elegeu-se presidente e enfiou o país numa de suas maiores crises políticas e econômicas. Mostrou as garras ao confiscar a poupança e o dinheiro das contas correntes. Mostrou seu coronelismo ao tentar fazer o Congresso engolir seus delírios. Collor durou pouco. Era uma farsa, um produto de mídia. Foi o primeiro na história a sofrer impeachment.
Collor serviu de mau exemplo, e mesmo assim conquistou seguidores. Alguns o lembram até pelo biotipo. Outros, pela fala decorada, treinada à exaustão. Outros pelo coronelismo, pelo lado jagunço de fazer política. Alguns conseguem reunir todos esses péssimos atributos e tentam iludir novamente a população.
O eleitor de hoje é consciente e sabe que discurso fácil, promessa fácil, solução fácil para tudo não passam de engodo, de enganação. Ninguém mais acredita nesse tipo de história. Problemas que se arrastam há anos não são resolvidos da noite pro dia mediante um discurso; o ônibus não ficará mais rápido ou circulará com menos passageiros – e todos sentados – porque determinado candidato assim prometeu.
Entre o discurso e a promessa há uma coisa chamada realidade. O eleitor não acredita mais em vendedores de ilusões. Não há espaço para filhotes de Collor nos dias atuais. Engana-se um ou outro, não mais todos ao mesmo tempo. Nem para sempre.
Collor foi uma farsa e tanto. Uma coisa era o futuro – e ele só pensava no futuro – que ele pregava. Outra, o atraso que trouxe com sua política nefasta, imposta por jagunços. Futuro não pode ser ilusão. Precisa ser planejado com base em realidades, em coisas palpáveis. Collor, pela sua arrogância e prepotência, típicas de coronel, se contenta agora em ser senador por Alagoas. Lá consegue ainda enganar eleitores.
Collor falava em modernidade. Conseguiu trazer para o Brasil os carros russos, pois considerava os nacionais carroças. Trouxe carroças piores ainda. Collor tentou atrair para seu governo outros políticos, pensando que eram oportunistas como ele. Engano, e dos grandes. Os mais prudentes, como o falecido Mário Covas, trataram de ficar longe do desastre.
Quase vinte anos depois ainda existe esse tipo de político. Não o prudente. E sim o oportunista, o carreirista, aquele que quer o poder a qualquer custo. O que fala, promete, ilude, mas que quando o script muda fica perdido. Qualquer semelhança, como nos finais dos filmes, é mera coincidência. E que coincidência!

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