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domingo, 18 outubro, 2026

Monitoramento de fauna registra onça “ao vivo” na Serra do Japi

Com seu registro de maior impacto, o Programa de Monitoramento de Fauna, da Prefeitura de Jundiaí, confirmou a imagem de uma onça-parda (ou suçuarana) circulando na Reserva Biológica Municipal da Serra do Japi. É uma espécie (de nome científico Puma concolor) presente em todos os biomas brasileiros mas classificada como vulnerável pelo Ministério do Meio Ambiente.
O programa de monitoramento, posto em prática pela Secretaria de Planejamento e Meio Ambiente, utiliza câmeras de infravermelho sem flash (trap), acionadas por sensores de movimento, bastante adotadas em pesquisas científicas.
O trabalho, que já registrou diversas espécies de mamíferos, aves e répteis desde 2015, complementa pesquisas científicas e orienta também ações preventivas no entorno da reserva biológica e da Serra do Japi como um todo.
A confirmação da imagem de 8 de outubro da onça-parda, geralmente registrada somente por pegadas ou mesmo fezes, reforça o debate da conservação ambiental em Jundiaí. “Tivemos anteriormente casos de soltura de onças na região, mas esse exemplar não mostra coleira de rastreamento”, observa o diretor Marcelo Pilon.
Para a pesquisadora Mariana Nagy Baldy dos Reis, que iniciou colaboração com o programa e desenvolveu seu doutorado na área reunindo apoio nas principais universidades paulistas (Unicamp, USP e Unesp) e do centro de pesquisa norte-americano USGS, os fatores humanos influem na distribuição de animais silvestres pelas diversas áreas e categorias restritivas de uso na região da Serra do Japi e também de toda Jundiaí.
Um de seus principais alertas para a análise de dados nesse campo é a diferença entre ausência/presença, a que o senso comum poderia reduzir o uso desses equipamentos, pelo complemento de detecção/não-detecção que inclui outros fatores, principalmente humanos (os antrópicos, com margem para efeitos naturais) que possam interferir nos resultados mais amplos
Outro ponto que destaca é o escalonamento de indicadores na leitura dos dados. Ela utiliza tabelas bioestatísticas que priorizam a divisão de espécies animais por dieta alimentar entre carnívoros, frugívoros (de solo e de copa), herbívoros (dispersores ou predadores de sementes) e onívoros, contemplando o equilíbrio do ecossistema.
Além dos dados diretos de fauna como indicadores, o programa também tem gerado outros projetos como o levantamento sanitário de cães e de águas no entorno da reserva biológica e também o reforço nas escolas municipais em bairros próximos sobre a guarda responsável de animais.

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