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domingo, 18 outubro, 2026

Editorial: A censura dos coronéis

Na semana passada, mal começou a ser distribuído o Jornal da Vila Arens (uma das publicações do Grupo Cruz de Malta Editores Associados), uma horda de bárbaros passou a acompanhar as equipes, e tão logo o jornal era colocado nas casas era retirado por esse hunos. Só para entender: os jornais de bairros do grupo são distribuídos assim todas as semanas.
Por causa dessa atitude, publicamos uma gravação em vídeo de um dos hunos que fazia o serviço sujo, e registramos Boletim de Ocorrência em Delegacia de Polícia. Na sexta-feira, no final da tarde, foi protocolada uma representação à Justiça Eleitoral, com pedido de liminar, pedindo a apreensão dos jornais e a retirada das publicações por meio eletrônico.
Unindo-se os fatos, chega-se facilmente à conclusão que quem mandou o bando de vândalos retirar o jornal foi o autor da representação. A quem mais poderia interessar esconder a notícia? A Justiça fez seu papel, concedeu a liminar, e na segunda-feira recebemos cordial e educadamente representantes da Justiça Eleitoral, munidos de um mandado de busca e apreensão de nossos jornais.
Em tempos antigos, bem antigos, houve imperadores e reis que tinham a prática de calar quem os criticasse com todos os meios disponíveis. Calígula, por exemplo, mandava matar ou cortar a língua dos senadores que o criticavam. Gengis Khan, outro sanguinário, fazia o mesmo, e em alguns casos, a morte se dava por empalamento.
No Brasil não foi tão diferente. A dose era menor, mas de alguma forma se reprimia. São os títeres sem tolerância a qualquer tipo de crítica. Nossos dois imperadores foram diferentes, liberais, e viam como demonstração de liberdade o exercício da crítica nos jornais da época.
Duas ditaduras – a de Getúlio Vargas e a dos militares de 1964 – adotaram publicamente censura. Censuravam jornais, revistas e até filmes que pudessem, de alguma forma, arranhar a imagem do regime. Nos sertões, a prática ainda é feita descaradamente – coronéis e seus jagunços não hesitam em calar as vozes dissonantes, seja o preço que for.
A prática sertaneja, ao que se vê, chegou também em Jundiaí. E isso é pior que censura. Sabe-se e está mais que provado que violência, truculência, ameaças e quetais são típicas de quem não tem argumentos. E na falta de argumentos, tenta-se a intimidação. Tenta-se a pressão, a difusão do medo, o terror naqueles que ousam tornar públicas algumas verdades.
Como dissemos, tenta-se. Nada nos intimida. Nos propusemos levar à população o que ela precisa saber sobre os que pretendem governá-la ou representá-la. E nenhum político, por mais santo que seja, tem o direito de calar uma voz dissonante. Ninguém lhe deu esse poder ou essa autoridade. E isso se chama também arbitrariedade.
Conclusão: o que esperar de alguém que tem diminuto poder, que pouco ou quase nada representa para a história da cidade, se esse alguém chegar onde pretende? Nada, a não ser truculência. Nada, a não ser autoritarismo e barbárie. Nada, a não ser um regime ditatorial. Nada, a não ser a força substituindo a razão.
Há uma única esperança – que Jundiaí não se transforme numa terra de jagunços. Que a cidade não seja entregue a um Torquemada travestido de estadista, programado como um robô mas que de conteúdo é tão ôco quanto um cacto ressecado numa caatinga nordestina.

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