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sábado, 17 outubro, 2026

Falta interesse, sobram escândalos

Terminado o segundo turno das eleições no domingo (30) não é hora de discutir se quem ganhou mereceu ou não, o porquê de ganhar e outras firulas jornalísticas e política. O que assusta é o número de votos brancos, nulos e de gente que não apareceu para votar.
Aos números: no primeiro turno, os votos em branco foram 4,83% dos 290.278 eleitores de Jundiaí; os nulos foram 11,88% de quase 17% nem apareceu pra votar. É o pessoal do dane-se, do tanto faz. No segundo turno houve menos votos em branco (3,54%), menos votos nulos (10,99%) e aumento o número de abstenções – 20,17%.
Há quatro anos esses números eram bem menores, o que significa que nesse tempo mais gente se desiludiu com os políticos. Os incontáveis escândalos, que começam em Brasília e sempre respingam nas cidades, são o principal motivo de tanta desilusão. Escândalos são de menos – o que pega é que esse povo gatuno continua solto.
Um exemplo dessa palhaçada chamada sistema político chama-se Renan Calheiros, até o começo da semana presidente do Senado. Renan foi parceiríssimo de Fernando Collor, quando este era presidente. Derrubado Collor, moldou-se rapidamente aos novos ventos de Itamar Franco e José Sarney.
Renan já foi pego com a boca na botija – tinha uma amante, e com ela teve um filho. Passou a pagar pensão à criança com dinheiro público, dinheiro do Senado. Nada aconteceu, ninguém devolveu dinheiro. Nem a mulher de Renan, que deve ser tão safada quanto ele, se incomodou com a amante do marido. Preferiu garantir sua mesada e sua aliança.
Hoje há 106 denúncias contra o senhor Renan Canalha No Supremo Tribunal Federal (STF). Toda são gravíssimas, mas nada anda. Tudo dorme em gavetas, com a conivência de muitos dos senhores ministros. Lula tem uma penca de denúncias, e também continua solto.
A Justiça gosta mesmo de prender peixe miúdo. Ora o ladrãozinho de sabonete no supermercado ora o pobre operário que não consegue pagar pensão alimentícia. Para esses, a implacável sentença de cadeia. Os tubarões roubam bastante, recebem propinas, promovem falcatruas diárias – alguns são até elogiados por ministros do STF.
Como resolver isso? Só pondo fogo e começando tudo de novo. A anarquia e a desobediência civil são ótimos remédios para governos corruptos. Basta ver a situação de alguns estados, que não vão conseguir salários de outubro ao funcionalismo público – e boa parte não tem dinheiro para os salários de dezembro e para o 13º.
Ou seja, o dinheiro dos impostos não está entrando, e sem esse dinheiro, os governadores ficam na mão. Se não entra dinheiro, há uma causa – a política econômica é um lixo, não se valoriza quem quer trabalhar, não há qualquer tipo de incentivo aos empreendedores. E então, ninguém investe, ninguém produz, ninguém paga imposto.
Seria uma utopia e tanto organizar a bagunça. Mas seria um presta-atenção daquele tamanho nessa quadrilha que se apossou do país. Seria algo imaginado por Raul Seixas em sua composição O Dia em que a Terra parou.
Talvez as abstenções, os votos nulos e brancos do último domingo – não só aqui, mas em todos os lugares – sejam o início dessa anarquia. E se ninguém aparecesse para votar? O ministro Gilmar Mendes, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) – aquele que quando fala parece estar com uma batata quente e inteira na boca – falou no rádio e na TV que tudo correu bem. Não correu não, ministro. O pior está por vir.

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