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sábado, 17 outubro, 2026

Ele sim fazia coluna social

Na década de 1970, quando o colunismo social estava no auge, havia alguns que se rivalizavam. Ibraim Sued e Zózimo Barrozo do Amaral eram os principais. Na semana passada, o jornalista Joaquim Ferreira dos Santos lançou o livro Enquanto houver champanhe há esperança – uma biografia de Zózimo Barrozo do Amaral.
Considerado pelo governo um anarquista, foi definido num relatório dos agentes do DOPS como “lobo que se escondia por trás da pele de cordeiro e do colunismo social”. Nada mais contraditório para alguém não abria mão do humor para retificar seus deslizes ou publicação de nomes errados, tanto no Globo quanto no Jornal do Brasil, ambos cariocas. Por causa disso, foi preso três vezes como subversivo. Nada foi provado.
Para que o leitor se divertisse, valia até registrar fragmentos colhidos em festas, sem muita importância, como esse diálogo entre uma ricaça e um garçom com uma bandeja de champanhe. “É brut?” ela indagou. “Não, é delicadíssimo”, respondeu ele.
Carioca da zona sul, Zózimo estudou Direito mas não exerceu. Aos 22 anos, vestiu um terno e se apresentou à redação do Globo para começar a trabalhar como repórter para assuntos de cidade. Como tinha tanto a aparência (com olhos azuis) quanto os modos de gente fina, no ano seguinte foi escolhido para colaborar com Álvaro Americano, então titular da coluna social Carlos Swann.
Passado mais um ano, com o pedido de demissão de Americano, Zózimo assumiu o comando da coluna, ofício que exerceria até pouco antes de sua morte, em 1997, aos 56 anos, devido a um câncer de pulmão.

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