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quinta-feira, 15 outubro, 2026

Consciência Negra: para militantes, falta representatividade

Data é feriado em mais de mil cidades e em cinco estados. Data é vista como manifestação e reflexão

Em vigor desde 2003, o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra é celebrado em 20 de novembro, data de morte Zumbi dos Palmares. No entanto, apenas em 2011 é que o dia foi oficializado em todo o território nacional e hoje sendo considerado feriado em mais de mil cidades do país e em cinco estados.
Mais do que um feriado, o Dia da Consciência Negra é uma espécie de manifesto para a cultura negra, é uma data que força os olhares para uma reflexão nem sempre fácil sobre a inserção e participação do afro-brasileiro na sociedade. Para Vanderlei Victorino, Assessor Especial da Prefeitura de Jundiaí, a data representa mais um dia de luta e resistência negra contra o racismo.
“O racismo no Brasil foi oficializado no dia 13 de maio de 1888 com a Lei Áurea. Desde então nós lutamos para colocar na pauta nacional nossa luta contra a discriminação. O dia da Consciência Negra é um grande símbolo e conquista”, afirma Victorino, o Beá.
De acordo Eginaldo Honório, advogado, Ouvidor Municipal de Jundiaí e ativista do movimento negro, a discriminação no Brasil acontece de forma velada e de vários modos diferentes, por isso a data é apropriada para impulsionar o debate.
“O Brasil é um país que discrimina e pelos mais variados motivos. Gordo, magro, loira, homossexual. Mas o negro ainda sim é o que mais sai prejudicado com isso. Você já viu quantos negros em cargos importantes? Quase não existe”, questiona Eginaldo.
A representatividade, ou melhor a falta dela, é assunto comum entre os militantes do movimento negro. A ativista Mariane David, de 28 anos, é idealizadora do projeto Causa Preta que tem como proposta reunir e empoderar mulheres negras da região. “Acredito que com a internet a representatividade melhorou bastante. Aliás democratizou. Porque se eu ligar a televisão, ainda não me sinto representada”, afirma Mariane.
O Ouvidor municipal Honório ainda aponta que representação histórica do negro é muito pejorativa, sempre representados como escravos. “Ninguém fala que o pai da Medicina foi o egípcio Imhotep, que era negro. A Cleópatra mesmo, é sempre representada como uma mulher branca”, diz, e que reforça a importância da representatividade por meio da lei 10.639/03.
“A lei é um complemento do Dia da Consciência Negra, pois tornar obrigatório o ensino da história cultura afro-brasileira e africana é fundamental para que o povo negro conheça os seus heróis e se sinta representado”.

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