O empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, fez repasses milionários para uma firma envolvida no escândalo do desvio do patrocínio da Vai de Bet ao Corinthians. Também enviou dinheiro para uma empresa registrada em nome de uma mulher de 90 anos, já falecida.
Em ambos os casos, o objetivo era fazer o dinheiro circular por diversos CNPJs, pulverizando os valores entre diferentes empresas de fachada. O procedimento é usado para dificultar o rastreamento dos recursos, segundo a CPMI do INSS no Congresso.
Os repasses para as duas firmas foram feitos por uma das empresas de Careca, a Arpar Participação e Empreendimentos. De setembro de 2023 a janeiro de 2025, a Arpar movimentou R$ 445,2 milhões, segundo técnicos da CPMI.
Uma da empresas que recebeu da Arpar, segundo a CPMI, é a Wave Intermediação, que recebeu R$ 1,05 milhão do CNPJ do Careca. Registrada em nome de um motoboy, a empresa está sediada em uma quitinete no bairro da Lapa, em São Paulo.
Mesmo assim, as contas bancárias da Wave Intermediação movimentaram R$ 4,85 bilhões de 2023 a 2025, segundo dados da quebra de sigilo fiscal da empresa, repassados pela Receita Federal à CPMI. A Wave é conhecida no noticiário policial.
Em julho passado, a empresa foi mencionada pelo MPSP na denúncia contra o ex-presidente do Corinthians, Augusto Melo, acusado de desviar dinheiro do contrato de patrocínio do clube com a Vai de Bet. Atualmente, Melo é réu por furto qualificado, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Assim como na farra do INSS, a Wave atuou como uma “conta de passagem” no desvio do patrocínio do Corinthians.
Outra das empresas usadas pelo Careca do INSS pertencia, ao menos no papel, a uma idosa de 90 anos. A empresa em questão é a Premier Indústria e Comércio Ltda. Por meio da Arpar, o Careca do INSS enviou pelo menos R$ 6,9 milhões para a Premier. Ao todo, de 2023 a 2025, as contas bancárias da empresa movimentaram R$ 297,1 milhões.
No papel, a dona era Diva Ribeiro Calil. Ela morreu em setembro passado, aos 90 anos. Ainda assim, a Premier movimentou R$ 65,7 milhões em suas contas bancárias em 2025, inclusive após a morte da suposta proprietária.
Uma terceira firma usada pelo Careca do INSS é uma consultoria de fachada, a Spyder Intermediações. O padrão se repete: registrada em nome de um auxiliar de serviços gerais de 25 anos, a Spyder movimentou R$ 371 milhões em suas contas.




