A Dívida Pública Federal ultrapassou pela primeira vez a marca de R$ 9 trilhões. De acordo com o Relatório Mensal da Dívida Pública divulgado pelo Tesouro Nacional, o estoque passou de R$ 8,798 trilhões em abril para R$ 9,033 trilhões em maio, representando um crescimento de 2,66% em apenas um mês.
O avanço foi resultado principalmente da emissão líquida de títulos públicos e da incorporação dos juros ao estoque da dívida. Em maio, o governo emitiu mais títulos do que resgatou, elevando o montante em circulação e contribuindo para o novo recorde.
A parcela interna da dívida, composta por títulos negociados no mercado doméstico, subiu 2,72% e alcançou R$ 8,692 trilhões. Já a dívida externa avançou 1,28%, chegando a R$ 340,49 bilhões, influenciada também pela valorização do dólar no período.
Entre as emissões realizadas em maio, predominam os títulos indexados à taxa Selic, que passaram a representar 48,99% do estoque da dívida. Os papéis corrigidos pela inflação responderam por 26,26%, enquanto os títulos prefixados corresponderam a 21%. Os títulos vinculados ao câmbio ficaram com participação de 3,75%.
Durante o mês, o Tesouro Nacional emitiu R$ 166,23 bilhões em títulos, o maior volume para um mês desde o início da série histórica. No mesmo período, os resgates somaram R$ 30,62 bilhões, resultando em emissão líquida superior a R$ 135 bilhões.
O relatório também mostra que a reserva de liquidez, conhecida como “colchão da dívida”, aumentou para R$ 1,211 trilhão, maior nível desde novembro de 2025. Segundo o Tesouro, o montante é suficiente para cobrir 9,14 meses de vencimentos da dívida pública federal.
Apesar do novo recorde, o Tesouro informou que o estoque da dívida permanece dentro da faixa prevista no Plano Anual de Financiamento para 2026, que estima um encerramento entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões.




