Uma queda aparentemente simples pode resultar em uma fratura grave quando os ossos estão fragilizados. Esse é um dos riscos da osteoporose, doença silenciosa que compromete a resistência óssea e, muitas vezes, só é descoberta após a primeira fratura. Segundo o ortopedista do Hospital de Caridade São Vicente de Paulo especialista em osteoporose, Rogério Savoy, a condição atinge três em cada dez mulheres após a menopausa e um em cada cinco homens com mais de 65 anos, reforçando a importância da prevenção e do diagnóstico precoce.
“Por ser uma doença silenciosa e progressiva, muitas pessoas não percebem que têm osteoporose. Em muitos casos, o diagnóstico só acontece depois de uma queda ou de um trauma que provoca uma fratura”, explica Savoy. Entre as mais comuns estão as de punho, braço, fêmur, quadril e vértebras da coluna. Quando atingem as vértebras, as fraturas podem provocar o encurvamento das costas e a diminuição da estatura, mesmo sem dor. “Além das alterações posturais, o quadro pode comprometer o equilíbrio, prejudicar a saúde respiratória e aumentar o risco de quedas. Por isso, a diminuição da estatura merece atenção e deve ser investigada por um profissional de saúde”, completa.
Tratamento e prevenção
Embora a osteoporose não tenha cura, o tratamento adequado permite controlar a doença e reduzir significativamente o risco de fraturas. “O tratamento não garante que a pessoa nunca terá uma fratura, mas reduz bastante esse risco. Nosso objetivo é fortalecer os ossos, preservar a qualidade de vida e ajudar a prevenir essas complicações”, destaca o ortopedista. A abordagem é individualizada e leva em consideração fatores como a idade e o histórico de fraturas de cada paciente, tornando o acompanhamento médico fundamental.
Além dos medicamentos, os cuidados com a alimentação e os hábitos de vida são essenciais para a saúde óssea. O consumo de alimentos ricos em cálcio, como leite, queijos e iogurtes, a manutenção de níveis adequados de vitamina D e a prática regular de atividade física contribuem para a resistência dos ossos e o fortalecimento muscular. Também é importante evitar o tabagismo e o consumo excessivo de álcool, além de manter o acompanhamento médico de outras condições de saúde que possam interferir no tratamento.
A prevenção deve começar ainda na infância, com a formação de uma boa reserva de cálcio no organismo, e continuar ao longo de toda a vida. A densitometria óssea, exame que avalia a densidade dos ossos, é recomendada para mulheres a partir dos 65 anos e homens a partir dos 70, podendo ser indicada mais cedo quando há fatores de risco. “A osteoporose é muito comum, mas ainda pouco percebida pela população. Por isso, é fundamental conscientizar as pessoas sobre a doença, seus riscos e a importância da prevenção”, reforça Savoy. Identificar os fatores de risco, realizar os exames indicados e adotar hábitos saudáveis são medidas fundamentais para preservar a saúde óssea e reduzir as consequências da doença.





