Nem tanto. Antes a tradição de evitar carnes vermelhas era mais forte, mas hoje nem todos abrem mão do churrasco
A Quaresma, período de 40 dias que se sucede a Quarta-feira de Cinzas, é uma época comum para que católicos e outros cristãos se dediquem à penitência em preparação para a Páscoa. Entre as práticas mais comuns de penitência adotadas pelos fiéis está a de abrir mão de algum hábito alimentar durante o período – especialmente da carne vermelha.
Oportunidade de ouro para as peixarias, que normalmente vêem a receita aumentar no período. De acordo com Sonia Amaral, balconista da peixaria Fish, durante a Quaresma há aumento significativo na procura pela carne de peixe. “Principalmente na Semana Santa, a loja registra grande fluxo de clientes em busca de um substituto para a carne vermelha. A preferência é pelos peixes sem espinhas”, explica.
Para José Maria Bifani, proprietário da peixaria São José, em Várzea Paulista, apesar do consumo de peixes aumentar bastante nessa época, a previsão para esse ano é que os lucros fiquem bem aquém se comparado a outros anos. “Devido ao aumento dos tributos e demais gastos, para este ano estamos prevendo margem de lucro bem abaixo do que tivemos em 2016 e 2015”, lamenta Bifani e que completa em tom otimista. “Mas estamos esperançosos quanto a safra maior desse ano para peixe de água doce. As fortes chuvas que tivemos favorecem a criação dos peixes”.
Durante o período da Quaresma os estabelecimentos que dependem exclusivamente da venda de carne, como churrascarias e açougues, têm de improvisar e a solução muitas vezes é incorporar incluir o peixe no serviço.
No entanto nos últimos anos parece que a tradição se perdeu, como explicam alguns empreendedores. Apesar de não perceber queda no movimento nos últimos anos a Esquina Gaúcha adotou opções de peixes no cardápio. “No passado era mais perceptível essa tradição, as pessoas realmente deixavam de lado a carne vermelha nesse período. O que percebemos hoje é que no calor o peixe é muito mais procurado, por isso mantemos a opção no cardápio”, explica Milton Carbone, sócio-proprietário do restaurante.
O proprietário do empório de carnes Neco, Leandro Cassaro, também confirma que no passado as pessoas eram mais rigorosas com a tradição. “Quanto ao aumento do consumo de peixe realmente existe, mas não mais como era antigamente. Hoje pelo movimento na loja, percebo que os clientes deixam para guardar mais o primeiro e último dia do período”.





