O ex-diretor da Dersa, estatal do governo de São Paulo responsável por obras viárias, e ligado a políticos do PSDB, Paulo Vieira Souza, o Paulo Preto, é acusado por delatores da Odebrecht de montar um cartel de empresas entre 2004 e 2008 para cobrar propina. Em troca de direcionar projetos para empreiteiras, ele pediu dinheiro para financiar campanhas do ministro Gilberto Kassab (PSD) e dos senadores José Serra (PSDB) e Aloysio Nunes (PSDB).
Sete executivos da Odebrecht falaram sobre irregularidades na conduta de Paulo Preto. Um dos casos aconteceu em 2008, pouco antes das eleições municipais, quando o então governador Serra e o então prefeito de São Paulo Kassab assinaram um acordo para fazer, em conjunto, cinco obras viárias bilionárias. Em uma reunião em seu escritório, Paulo Preto contou aos executivos da empreiteira que havia organizado um acordo de mercado para tocar o negócio.
Segundo ele, um dos projetos, a construção de um túnel para ligar a Avenida Jornalista Roberto Marinho à Rodovia dos Imigrantes, seria direcionada à Odebrecht. Como contrapartida, a empreiteira deveria pagar de propina 5% do contrato. No meio do encontro, o ex-diretor da Dersa solicitou um adiantamento de R$ 2 milhões, a que deu o nome de abadá. Ainda de acordo com os delatores, o dinheiro iria para a campanha de Kassab à reeleição.
Ficou acertado também que a Odebrecht apresentaria propostas falsas nos outros lotes de obras para encobrir as fraudes, semelhante ao que acontece em outras licitações investigadas pela Operação Lava-Jato. Também participaram do acordo de mercado Queiroz Galvão, Andrade Gutierrez e OAS.
Em outra obra bilionária do governo de São Paulo, sete delatores da Odebrecht afirmaram terem pago R$ 1,2 milhão a Paulo Preto como propina no Rodoanel em 2006. O valor que também seria destinado a campanhas eleitoras, não foram especificadas. No ano seguinte, o então diretor da Dersa soliciou 0,75% do contrato para não fazer alterações contratuais que prejudicassem as empresas.
Os delatores da Odebrecht fizeram mais contribuições a pedido de Serra: R$ 2 milhões para a campanha da prefeitura em 2004 e R$ 4 milhões para a corrida ao governo do estado em 2006. Em 2008, a Odebrecht afirma ter pago R$ 3 milhões para a campanha do governador Geraldo Alckmin (PSDB) à prefeitura.





