Estamos presenciando um momento complicado de nossa história. Porém, na história, nada ocorre de maneira repentina, toda conjuntura é resultado de um longo processo.
Vivemos em um país que, em seus um pouco mais de cinco séculos de existência pós invasão portuguesa, assistiu, por quase quatro desses séculos, a parcela significativa de nosso povo sendo marginalizado e escravizado por sua elite.
Aliás, durante todo o período escravocrata, a elite brasileira viveu sob as rédeas da já imperialista burguesia externa. Nos mais diversos momentos marcantes de nossa história, a configuração acima esteve presente.
Nós nos tornamos “independentes” e, posteriormente, abolimos nossa escravatura sob a tutela do imperialismo inglês. Posteriormente concluímos nossa Revolução Industrial nos curvando à burguesia externa, principalmente a estadunidense. Conseguimos produzir, com esse histórico de submissão, uma burguesia débil externamente, mas extremamente opressora internamente.
Produzimos uma burguesia desinteressada dos interesses nacionais e, principalmente, esmagadora dos anseios dos menos favorecidos no Brasil, mas que, ao mesmo tempo, era completamente submissa e dependente dos interesses das potências estrangeiras.
Todos, repito, todos os governos brasileiros que se configuraram após a concretização da implementação dos interesses do capitalismo estadunidense, ocorrida durante a ditadura militar, repetiram a mesma lógica a que, infelizmente, nos habituamos: governar para o interesse do capitalismo internacional em detrimento dos interesses do povo brasileiro.
Não é à toa que, em um momento de profunda crise do capitalismo internacional, estejamos assistindo a uma infinidade de ataques ao trabalhador brasileiro. Terceirização infinita, previdência subtraída, dignidade dilapidada… enfim, assistimos à mais completa e cruel precarização do trabalho dos últimos tempos.
Também é simples entender que, ao longo da nossa história, fomos “educados” a defender os anseios daqueles que nos exploram. Essa é uma hora decisiva na história do Brasil: vamos assistir, mais uma vez, calados, manipulados e submissos, aos ataques daqueles que, sob várias roupagens, há séculos nos exploram? Ou vamos virar o jogo e não mais aceitar tamanha exploração?
A respostas somos nós que daremos. O que será agora?
PAULO TAFFARELLO
Professor





