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quarta-feira, 7 outubro, 2026

Gravidez ectópica: dores podem ser sinal de gestação fora do útero

Na maioria dos casos, as mulheres não apresentam indícios ou nem sequer desconfiam da gravidez. Mas por volta da sexta ou oitava semana de gestação, os sintomas começam a surgir: dor abdominal aguda e irregularidade menstrual, com ou sem sangramento. Esses podem ser sinais de uma gestação fora do útero, uma gravidez ectópica.
Em uma gravidez regular, o óvulo migra para uma das tubas uterinas, onde ele encontra o espermatozoide e ocorre a fecundação. Este embrião formado migra pela trompa até se implantar no endométrio, a camada interna do útero, onde a gestação se desenvolve.
Nos casos de gravidez ectópica, o óvulo fecundado pode se implantar antes de chegar ao útero, em locais inadequados, devido a alguma anormalidade. Em 95 a 97% dos casos, o embrião se estabelece indevidamente nas trompas. Mas em 3% deles pode ser no ovário, no colo do útero ou até em uma cicatriz de cesárea.
“Por estar implantado fora do útero, o embrião não consegue se desenvolver. Além disso, ele pode lesionar diversas estruturas que estiverem ao seu redor e causar sangramentos de grandes proporções, se não for diagnosticado precocemente”, explica Luciene Kanashiro Tsukuda, médica especialista em reprodução humana.
Causas e diagnóstico
A gravidez ectópica pode acontecer por conta de infecções, inflamações ou anormalidades nas trompas, o que faz com que o embrião tenha dificuldade de completar o trajeto em direção ao útero. Atualmente, o diagnóstico precoce acontece com maior frequência por meio da ultrassonografia transvaginal associada a sinais, sintomas clínicos e exames laboratoriais, como as dosagens do hormônio BHCG, que nesse caso pode ter uma elevação mais lenta que o normal.
Todas as mulheres correm o risco de ter uma gestação ectópica, mas alguns fatores podem aumentar essa chance. Alguns deles são: já ter tido algum episódio como esse no passado, ter feito cirurgia ou apresentar uma deformidade na estrutura das tubas uterinas, ter doenças inflamatórias pélvicas, endometriose ou também usar inadequadamente o DIU, dispositivo intrauterino, como método contraceptivo.
Quando a gravidez ectópica é diagnosticada precocemente, é possível pausar o seu desenvolvimento por meio de medicações. Mas quando ela está em um estágio mais avançado, por ser de alto risco, é feita uma intervenção cirúrgica. O embrião é retirado e a trompa afetada é reparada, em casos de gravidez tubárea. Se não for possível recompor a estrutura, é preciso remover a trompa.
A boa notícia é que, mesmo com a retirada de uma das tubas, é possível engravidar posteriormente, seja de forma natural ou por meio dos tratamentos de reprodução assistida.

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