Existem alguns encontros que são intensos, não duradouros e por muitas vezes pouco completos, porém fortes o suficiente para ser, dentro de sua capacidade, eternos.
Foi assim quando conheci Helena, foi despretensioso, na fila para o teatro, no fim de tarde de um domingo. Nada demais, ela queria ir ao banheiro e eu sabia o caminho, foi isso. Mas quando existe conexão tudo conspira para que seja mais do que uma simples conversa de banheiro. Horas depois, já compartilhávamos de amigos em comum num grupo de whatsapp.
Foram inúmeras propostas de reencontro com os amigos do grupo, vários convites para festas de aniversário, inclusive a minha. E foi ai que tudo se encaixou. Ela veio até minha casa, participou da festa e caiu fora mais ou menos 2 horas depois que chegou.
– Ei preciso ir, você sabe, moro meio longe…
– Tudo bem – respondi com um tom de decepção na voz – mas você me deve um sorvete. Falei enquanto tocava o nariz dela no meu modo mais brincalhão e ri, depois de um abraço apertado ela se foi.
Algumas semanas depois tive um sonho, sempre tenho sonhos malucos e por algum motivo, Helena estava nesse. Mandei mensagem assim que abri os olhos, contando da verdadeira loucura que eu tinha sonhado. Ela riu bastante, lembramos da promessa feita as pressas na porta de casa e combinamos de sair.
Saímos juntas 3 vezes especificamente, passamos madrugadas acordadas resolvendo os problemas do coração, nos ajudando com os sentimentos sufocados, choramos juntas e compartilhamos isso por mensagem, mas depois de um mês sendo intensas uma para a outra nós apagamos.
Eu não conheci Helena o suficiente para adivinhar o que ela sente ou saber todos os seus sabores preferidos de pizza, mas conheci ela o suficiente pra deixar um pedacinho meu com ela e ter certeza que tem um pedacinho dela comigo.
Nenhum encontro é por acaso. Helena me deu o melhor sorvete, as melhores tardes na livraria do shopping e foi a primeira pessoa pela qual eu tomei chuva . Eu agradeço a ela por toda a intensidade, que foi fogo ao me incendiar e será pra sempre brasa para aquecer, queimar.





