Desde que a Polícia Federal deu início à Operação Lava Jato – a princípio despretensiosa até – já se foram 16 fases. Essa operação mandou para a cadeia gente que ninguém imaginava um dia estar atrás de grades, com algemas e exposta à execração pública. Foram donos de empreiteiras, ex-deputados e um bando de auxiliares.
Esse trabalho só vai em frente porque há um juiz, Sérgio Moro, que não está para brincadeiras. Um juiz de caneta pesada. Moro usa um artifício legal, o de decretar prisões, para que os envolvidos sintam o gostinho da cadeia, se deprimam, se desesperem e, se vendo perdidos, contém o que sabem.
Há os que criticam o juiz. Dizem que ele age ilegalmente. Coisa normal para quem se sente ameaçado, ou quem defende outros ameaçados. Deputados e senadores, provavelmente envolvidos nesse esquema gigantesco de corrupção, já se mexem para modificar leis e barrar ações da Polícia Federal e do Ministério Público. Estão incomodados com tanta honestidade.
É bom lembrar que isso – colocar um freio nas investigações – não é difícil acontecer. Deputados e senadores, há alguns anos, quando foram criticados duramente pela imprensa, trataram de se vingar e aboliram a exigência do diploma para jornalistas. Colocaram o jornalismo como profissão desqualificada. E continuaram fazendo das suas.
Outros – provavelmente futuros presidiários – lançam bravatas contra esse tipo de investigação, citando exemplos nada confiáveis e pareceres duvidosos. O mensaleiro José Dirceu, por exemplo, que tem tudo para estar no meio dessa maracutaia, já pediu habeas corpus preventivo para não ser preso. Está deprimido o pobre homem.
O juiz Sérgio Moro parece adotar uma máxima inversa do Direito, mas que todos os brasileiros deveriam adotar – todos os políticos são suspeitos até que provem sua inocência. Pode parecer absurdo, e talvez até seja, mas é a realidade. Até onde isso vai chegar, nem Deus sabe. E não há Solupan que limpe tanta sujeira.




