Lembra aquele tempo que todo mundo fugia do quartel? Que diziam que servir ao Exército era um ano perdido? Esquece. Hoje tudo está mudado. Soldados saem de lá com uma profissão que atende a demanda do mercado, estão bem treinados nessas profissões e orientados para recomeçar a vida civil.
O 12º GAC, sediado em Jundiaí, é um dos pioneiros nas mudanças. “Os soldados passam pelo treinamento militar tradicional, e além disso são preparados para voltar à vida civil”, explica o comandante, tenente-coronel Mendes, carioca que já passou por 20 mudanças, andou pelo Brasil e está à frente de quase 600 homens desde janeiro deste ano.
O GAC conta com 300 soldados que prestam o serviço militar obrigatório; outros 110 engajados, que podem ficar até sete anos no Exército, e 120 alunos do curso de sargentos – está no GAC uma das 11 escolas do tipo existentes no Brasil.
Bem, vamos aos soldados. Muitos chegam sem profissão, outros com conhecimentos superficiais, devido à idade e escolaridade. No GAC, aprendem de tudo. “Temos parceria com o Senai, explica o comandante, e lá nossos soldados fazem curso de mecânico à noite. E aqui no quartel eles cuidam de nossas 100 viaturas”.
Outros se formam como motoristas – chegam a ter carteira letra E, que permite dirigir caminhões com cargas perigosas. No quartel existe o curso de formação de condutores, homologado pelo Detran – é o pioneiro em todo o Estado.
Oito militares passaram por treinamento na rede de hotéis Ibis. Aprenderam culinária, manutenção de hotel, recepção e hotelaria. Quando saírem, estarão aptos a trabalhar em qualquer hotel brasileiro. E um cozinheiro foi fazer curso no Sesc de Águas de São Pedro. No GAC, exercem a função de cassineiros. E lá existe um hotel-trânsito, com sete suítes.
Mendes já pensa em providenciar um curso de línguas para seus soldados. “Mas somente inglés e espanhol”, explica. Um soldado está fazendo o curso de panificação. Quem ensina é o dono de uma padaria. Ele já faz pão com qualidade e doces, para alegria do comandante. Trabalha na padaria do GAC, e quando sair, tem emprego garantido na padaria onde aprende o ofício. E não vai ganhar pouco.
Esses cursos, feitos por meio de parcerias, fazem parte do projeto Soldado Cidadão. Nele estão também os auxiliares de enfermagem (no quartel são padioleiros). Outros soldados são incentivados a fazer cursos universitários, e para isso há convênios com faculdades locais.
Mas é um trabalho com crianças que vem chamando a atenção. “Todas as terças e quintas – conta Mendes – 100 crianças das escolas da prefeitura passam a manhã no GAC e aprendem todos os esportes, como vôlei, natação, basquete, futebol. É o Profesp (Programa Força no Esporte). E estamos em condições de receber mais crianças”.
Tais programas têm reforçado o lema do Exército – Braço forte, mão amiga – e tem tudo a crescer. “Essa integração com a sociedade civil é a nossa mão amiga – diz o comandante.
Na semana passada, os soldados ouviram o general Moura Barreto, auxiliar direto do comandante do Exército, sobre educação financeira. “É como podemos contribuir para devolver o cidadão à vida civil de forma ordenada”, diz Mendes. No dia 17 de outubro o GAC vai completar 96 anos. E nem é preciso perguntar quem vai preparar o cardápio e servir os convidados.





