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quarta-feira, 4 novembro, 2026

Rio Jundiaí é redescoberto em mapa de 1628

A descoberta de um mapa colonial registrando o rio Jundiaí em 1628 é uma novidade que coincide com os preparativos de um projeto de valorização desse rio como elemento ambiental e histórico de grande parte da região. O tema tem sido alvo de encontros entre técnicos de Jundiaí, Campo Limpo Paulista, Itupeva e Várzea Paulista e leva o nome provisório de “Rio Jundiaí – Patrimônio Natural e Cultural”.
Apesar de ter eixo principal com apenas 123 quilômetros de extensão desde as nascentes até a foz no rio Tietê, o rio Jundiaí drena uma área (“bacia”) com 1.114 km² (ou 1,114 bilhão de metros quadrados). Já a informação de seu registro histórico em 1628, mais de vinte anos antes de Jundiaí ter sido reconhecida como uma das vilas coloniais, foi destacada pelo prefeito Pedro Bigardi após leitura do livro “Rios de São Paulo – O Caminho das Águas” (Vito D´Alessio, Dialeto, 2011) e chegou ao conhecimento do grupo.
O mapa citado no livro resultou de uma expedição capitaneada por Dom Luís de Céspedes Xeria para os cursos dos rios Tietê e Paraná. E mostra tanto o rio Jundiahy como a própria localidade de Jundiahy.
O diálogo sobre o tema envolve técnicos de quatro municípios, que em Jundiaí estão ligados com a Secretaria de Planejamento e Meio Ambiente, e visa lembrar que, ao lado de todas as questões ambientais e de formas de vida que vivem nessa bacia, estão também seus aspectos históricos.
Retornando no tempo com apoio de obras como essa, é curto o período dos lendários bandeirantes paulistas dos anos 1500, formados por grupos mistos de brancos, índios e caboclos que usavam o discurso das grandes descobertas para, na maior parte das vezes, justificar caçadas pouco escrupulosas a povos indígenas pelos caminhos que já existiam antes da chegada dos portugueses.
Logo começaram a ser substituídos por expedições de cargas que passaram a usar a conexão de rios, especialmente Tietê e Paraná, com o nome de “monções”. Aproveitando o conhecimento nativo, surgiram os primeiros mapas cartográficos para orientação dos comboios de barcos que chegaram a transportar até seis toneladas de carga pelos canais.
Mas tanto as bandeiras que entraram no território quanto as monções que criaram uma rede hidroviária nas bacias dos rios Tietê e Paraná, apenas iniciaram a ocupação. Por terra, os rios também orientaram as rotas dos tropeiros que geraram as povoações estratégicas do Estado de São Paulo, como Jundiaí, Itu, Porto Feliz, Sorocaba e, em seguida, Campinas.
Foram mais de 200 anos na integração entre tropas de animais e rios até que o volume de carga gerado pelo café, um grão de origem africana que substituiu a mineração como base econômica de exportação, exigiu o surgimento da alternativa ferroviária iniciada exatamente entre Santos e Jundiaí na década de 1860.
Se durante séculos o rio Jundiaí funcionou como apoio natural estratégico para tropeiros e moradores, a partir da segunda metade do século 20 teve seu eixo principal atingido por uma carga de resíduos da industrialização e desmatamento das margens que o tornou um dos mais poluídos do Estado, classificado como classe 4. No entanto, afluentes da margem direita (especialmente na área do rio Jundiaí-Mirim) e da margem esquerda (especialmente vindos da Serra do Japi) ainda mantiveram a vida na bacia.
Em 2014, mais de trinta anos depois das articulações para o projeto de despoluição iniciadas no início da década de 1980 (paralelas às de proteção da Serra do Japi, alvo de mobilizações na mesma época), um trecho de 25 quilômetros do eixo central do rio Jundiaí entre as cidades de Itupeva e Indaiatuba foi reconhecido como classe 3 pelo Conselho Estadual de Recursos Hídricos, permitindo seu uso após tratamento. Antes, ele somente deixava a classe 4 entre as nascentes e a cidade de Várzea Paulista, trecho classificado como classe 2 nos mesmos critérios.

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