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quarta-feira, 4 novembro, 2026

País perde bilhões com entrada de contrabando

Feito pelo Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (Idesf), um estudo mostra que o prejuízo com o contrabando no Brasil chega a R$ 100 bilhões por ano. O prejuízo não fica só nos impostos que deixam de ser pagos – calcula-se que 200 mil pessoas fiquem sem trabalhar por causa disso.
Quando chega o contrabando, o governo deixa de receber dinheiro do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e o Imposto de Importação (II). Entre 2011 e 2014, por exemplo, o governo perdeu mais de R$ 10 bilhões.
Houve uma época em que o Ministério da Defesa realizou a Operação Ágata e apertou o cerco nas fronteiras e apreendeu muito contrabando, principalmente cigarros, vindos do Paraguai. Como agora a fiscalização está frouxa, o contrabando voltou com a corda toda.
Não é difícil constatar que o contrabando corre solto. Cigarros paraguaios são encontrados em bancas de jornais e lojas; produtos eletrônicos são vendidos às claras por camelôs em todos os lugares, e até remédios são “receitados” na informalidade. Num momento em que o governo busca dinheiro desesperadamente, muito mais prático e eficiente seria colocar soldados nas fronteiras para inibir esse comércio.
Até remédio é contrabandeado
Antes o contrabando vivia de eletrônicos e cigarros. Agora, até os remédios chegam por vias duvidosas e ilegais. Um estudo da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostra que quase 20% dos remédios vendidos no Brasil são ilegais, a maioria vinda da China, Índia e Paraguai. Chegam aqui prontos para consumo ou somente seu princípio ativo, que será manipulado em laboratórios clandestinos.
Esses remédios são vendidos pela Internet, em feiras-livres e até em farmácias. O campeão dos “genéricos” ainda é o Viagra paraguaio, vendido por aqui a cinco reais e unidade. Esses medicamentos falsificados mataram 700 mil pessoas no mundo todo, e não há dados sobre o Brasil.
“Como é mais barato, as pessoas acham que estão fazendo um bom negócio ao comprar medicamentos falsos. Não estão. As mortes estão aí para comprovar”, diz Edson Vismona, do Conselho Nacional de Combate à Pirataria.
Não é pouca coisa. O cálculo é que existam 500 versões de remédios piratas em circulação no país, segundo a OMS. O que mais vende já é sabido: Viagra, remédio para emagrecer e hormônios anabolizantes. Há mais, em menor quantidade, como remédios falsos para coração e pressão alta. A maior parte é comprada pela Internet e entregue via Correios.

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