Na época do Brasil-Império houve na primeira constituinte brasileira o célebre “sufrágio da mandioca“. Os deputados elaboraram uma lei. Neste, somente poderiam votar e serem votados os que dispusessem de uma renda mínima, equivalente a uma área de mandioca. O então Imperador D. Pedro I dissolveu essa constituinte.
Analogamente a situação de hoje não é muito diferente. Mudam-se as leis conforme a vontade dos poderosos. Se um candidato oposicionista ameaça vencer, por maioria simples, altera-se a lei exigindo-se a maioria absoluta.
Há uma forma específica de ditadura. Consiste em um partido, uma vez no poder, governar, segundo o seu arbítrio. A situação hoje se agrava sobremaneira. Ao poder político, soma-se, agora, o poder econômico. E a democracia continua sofrendo terríveis arranhões. Que chances tem os que se dispõem a participar, pela primeira vez, da vida pública, direito inalienável de qualquer cidadão ?
Dizem: “Eles podem ser candidatos à reeleição, mas não podem usar a máquina “. Quanta hipocrisia. Em nenhum momento deixam de usar a máquina, pressionando os seus servidores, fazendo-os trabalhar como meros cabos eleitorais pagos com o dinheiro do povo. Com isso promovem coligações mirabolantes garantindo um leque de apoio inexpugnável.
Desta forma um grupo de pessoas tomou de assalto a política de Jundiaí há mais de 20 anos, instalando-se no poder público local usando-o, via de regra, à favor de seus negócios pessoais colocando, assim, o interesse privado acima do interesse público.
A definição científica de política é a de que ela deve ser a ciência do bem comum, um instrumento de transformação da sociedade. Em Jundiaí, lamentavelmente, a política tem sido, nas últimas décadas, apenas um instrumento de apropriação privada daquilo que é público. Uma ferramenta utilizada por muitos fortalecendo uma ideologia patrimonialista que o cidadão não aceita mais.
Doce ilusão. Um sonho de uma noite de verão que desapareceu ao vento. Na verdade, este modelo político miserável vigente em Jundiaí há mais de 20 anos transformou a política em um mero balcão de negócios em cuja mesa só tem acento aqueles que aceitam se colocar de joelhos diante dos que detém o poder econômico e político. Que cidade é essa onde as lideranças a tratam como se fosse apenas o quintal de suas casas ?
“Democracia”, “Liberdade”, “Princípios”. Há quanto tempo estas palavras não fazem parte do dicionário político de Jundiaí. Exatamente por esta ausência é que hoje vivemos uma das épocas mais cinzentas de nossa história pois a inexistência da transparência política faz com que as grandes decisões sejam tomadas entre quatro paredes, na calada da noite.
O poder político em Jundiaí está completamente distorcido. Porém, como diz um antigo ditado, “enquanto há vida há esperança”. E o povo de Jundiaí, na sua determinação em trabalhar por uma cidade melhor, não perde a perspectiva de um futuro digno para a sua família, deixando adormecido em um passado longínquo o “sufrágio da mandioca”, símbolo de uma época imperial que não deixou saudade.
Um novo modelo político é preciso. Uma nova prática com política pública é necessária. Uma nova Jundiaí é a aspiração de todos nós.





