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terça-feira, 3 novembro, 2026

Editorial: O quanto somos roubados

Até agora, marginais, quando assaltam postos de combustíveis estão atrás de dinheiro. Logo estarão atrás de álcool ou gasolina, tamanho seu valor. Somente aqui, no país das maravilhas, é que existe gasolina cara. No resto do mundo – e esse resto de mundo deve estar certo – o preço caiu horrores.
Os porquês: primeiro, que a maioria dos países produtores de petróleo aumentou a quantidade do produto no mercado. Mais produto (oferta) significa menor preço. Esse aumento de produção foi tanto que a Venezuela, país que vive do petróleo, está quebrada. Segundo, que tudo o que a Petrobras anuncia é mentira. Ou quase tudo.
Há alguns anos, o presidente apedeuta anunciava com pompa e circunstância que nós, brasileiros, exploraríamos o pré-sal. Tudo piada. Fica infinitamente mais caro buscar petróleo no pré-sal do que buscá-lo da forma tradicional. Se isso fosse bom, outros países já teriam feito. A bravata era do mesmo sujeito que afirmou, num dia mais solene ainda, que o Brasil havia pago sua dívida internacional. Mentira, deve até as calças.
Não bastasse o preço baixo do petróleo no mundo – menos no Brasil – agora o Irã vai despejar uma senhora quantidade de petróleo no mercado, o que significa que o preço vai cair mais ainda. Pra não deixar barato, a Arábia Saudita também aumentou sua produção.
E a Petrobras? Como de costume, vai manter o preço do litro da gasolina nas alturas. Os produtores de álcool vão acompanhar – e aproveitar bem – esses aumentos. Em tempo: os produtores de álcool são os usineiros que pegaram (e continuam pegando) dinheiro em bancos oficiais e nunca pagaram um centavo da dívida.
Pessoas que moram perto das fronteiras com outros países fazem semanalmente sua viagem a cidades do outro lado para abastecer seus carros. Comparada com o preço nosso, lá a gasolina custa uma merreca. Pior ainda: gasolina comprada da Petrobras.
Como no mundo dos negócios as contas precisam fechar, alguém acaba pagando por isso – nós. E gasolina cara significa que tudo fica mais caro, porque tudo depende de transporte. E o arroz e o trigo, produzidos no Sul, chegam aqui em cima de caminhões, não de trem. A Petrobras quer tapar os rombos da roubalheira já conhecida e provada.
Mas está em descrédito. Serão precisos muitos anos para recuperar sua credibilidade. Talvez alguns séculos para se tornar eficiente. Na semana passada, uma ação da Petrobras, que já foi sonho de consumo dos investidores, custava exatamente meio quilo de tomate. Como se nota, esse é mesmo o país do futuro.

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