O médico Wagner Ligabó é considerado um dos melhores cardiologistas do Brasil. Não é o tipo de pessoa que foi à política para tirar proveito – antes de se eleger vereador, em 2016, declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de quase R$ 3,6 milhões. Também antes de se eleger vereador, sua empresa, o Instituto de Clínicas Especializadas Ltda. (Icesp) mantinha contrato com o Hospital São Vicente de Paulo.
Como vereador, Ligabó teve posturas polêmicas, mas sobreviveu – chegou a dizer que teve vontade de pegar o boné e ir embora. Sobreviveu e ressurgiu – agora é cotado para disputar a prefeitura por seu partido, o Cidadania, antigo PPS.
O que intriga muita gente é o fato da empresa de Ligabó, o Icesp (nome fantasia: Instituto Dr. Jaime Rodrigues), continuar prestando serviços ao Hospital São Vicente. Nada ilegal, uma vez que o hospital é entidade de direito privado – a lei veda tal prestação de serviço por agente político somente a entidades de direito público.
De 2017, quando tomou posse como vereador, até março deste ano, o Icesp recebeu do Hospital São Vicente R$ 3.112.857,06. Média de R$ 102.879,50 em 2017, R$ 106.430,60 em 2018 e R$ 200.378,90 em 2019 por mês. Ocorre que o hospital sobrevive graças a muito dinheiro público, do Sistema Único de Saúde, do Governo do Estado e da prefeitura de Jundiaí.
Explica-se o inchaço nos recebimentos, a partir deste ano, por conta de uma confissão de dívida do hospital, de R$ 94.579,75 por mês. Seriam sete parcelas resultantes do acordo do hospital com o Icesp. Há quem entenda que indiretamente Ligabó recebe dinheiro público.
Não foi o que o Ministério Público entendeu. O Inquérito Civil 14.0670.0001096/2018-9 termina com pedido de arquivamento feito pelo promotor Fabiano Pavan Severiano, ratificado pelo Conselho Superior do Ministério Público. Ou seja, o contrato é legal, embora possa ser considerado imoral.
O Icesp (Instituto Dr. Jaime Rodrigues) tem como sócios, além de Ligabó, Paulo Chaccur, Rodolfo Staico e Silvio Gioppato. Além de médico e vereador, Ligabó é também um empreendedor. Além do Icesp, é médico contratado do São Vicente, com salário de pouco mais de R$ 5 mil mensais, para carga de 60 horas.Também tem sociedade na S.W. Cirurgia Cardíaca S/S Ltda. (outros sócios: José Carlos Mussi, Staffan Karl Olov Soderberg e Paulo Chaccur).
Também teve participação na Ligabó Serviços Médicos S/S, que tem como titulares Lourenço Teixeira Ligabó, seu filho e também cardiologista, e Giovanna de Sanctis Callegari Ligabó, e na Cardiopaz Serviços Médicos S/S, que tem como titulares Luiz Carlos Bettiati Junior, Alexandre Cabral Zili e Raul Gaston Sanchez Mas. Em sua declaração de bens à Justiça Eleitoral, o vereador constou-as como tendo participação, porém hoje ele não aparece mais no quadro societário.
Ligabó não concentrou seu empreendedorismo somente na área médica. Também é sócio da Agro Pecuária Fazenda Santa Amélia Ltda. Os demais sócios nesse empreendimento são Alberto José Perondi Ligabó, Wander Ricardo Ligabó, Ies Perondi Ligabó e Leandro Teixeira Ligabó, seu filho, advogado.
De incoerente, o Icesp tem seu endereço: rua São Vicente de Paula 223, Vila Argos Velha. Ou seja, sua sede é dentro do Hospital São Vicente e a Vila Argos Velha fica a alguns quilômetros de distância do endereço declarado.
Ciente de suas posses e sem necessitar do pagamento da Câmara, assim que tomou posse como vereador Ligabó afirmou que doaria o salário, coisa que tem feito regularmente. Com tantos predicados – capacidade profissional, dinamismo, empreendedorismo e caridade – Ligabó tem tudo para ser um bom administrador para a cidade. Não fosse o contrato com o hospital, que para muita gente é vergonhoso e imoral.
(Todas as informações aqui contidas foram extraídas de documentos públicos)
O que diz a lei
A Lei Orgânica do Município de Jundiaí, em seu artigo 19, determina que:
O Vereador não poderá – desde a expedição do diploma:
a) firmar ou manter contrato com pessoa jurídica de direito público, autarquia, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de serviço público, salvo quando o contrato obedecer a cláusulas uniformes;
b) aceitar ou exercer cargo, função ou emprego remunerado, inclusive os de que seja demissível ad nutum, nas entidades constantes na alínea anterior;
Desde a posse:
a) ser proprietário, controlador ou diretor de empresa que goze de favor decorrente de contrato com pessoa jurídica de direito público ou nela exercer função remunerada.






Qual a finalidade dessa matéria, senão tentar atingir o político.
Falam em “imoralidade” como se fossem os guardiões da “moral”.
Pois bem, e onde está a moralidade do veículo que não inseriu na matéria o mínimo obrigatório a qualquer “bom jornalismo”. O direito a resposta da parte mais atingida.
Por que não tem a “resposta” do médico? A quem estão atendendo com um desserviço desses?
Não estou aqui defendendo esse ou aquele político, mas ver envolverem várias pessoas e vários nomes em uma reportagem tendenciosa mesmo após a justiça ter declarado que está tudo perfeitamente em ordem, é muito indignante.
É tudo aquilo que vocês tentam jogar sobre o médico. É ANTIÉTICO E IMORAL.
O que ele deveria fazer? Cancelar o contrato? Parar de trabalhar na área?
Sabemos que todas as entidades de saúde (incluindo as particulares) recebem recursos do SUS.
Ele é médico e para não trabalhar em nenhum hospital que receba recursos do SUS, teria PARAR DE TRABALHAR NA ÁREA. É isso que vocês propõe?
Essa suposição é, no mínimo, ridícula.
Ele ESTÁ vereador e, como todo político deveria fazer, mantem sua profissão. Está corretíssimo!
É da medicina que tira seu sustento e de sua família.
É da medicina que retira os recursos que usa em sua vida.
E está muito correto. Afinal, Política não é profissão.
Bom seria se todos os vereadores da cidade fossem assim.
Parem de querer difamar pessoas corretas. Isso é canalhice do pior tipo.
Abraço