A OMS (Organização Mundial da Saúde) estima que há 70 milhões de pessoas com autismo em todo o mundo, sendo cerca de 2 milhões somente no Brasil. Calcula-se que em todo o mundo, uma em cada 160 crianças tenham o TEA (Transtorno do Espectro do Autismo). No Brasil, a estimativa é de que uma em cada 88 crianças apresenta traços de autismo –com prevalência cinco vezes maior em meninos.
Trata-se de um transtorno do neurodesenvolvimento, caracterizado por padrões de comportamentos repetitivos e dificuldade na interação social –e que afeta, especialmente, três domínios do desenvolvimento humano: a comunicação, a sociabilização e a imaginação.
Especialistas dizem que a maioria dos pais percebe que há algo de errado antes dos dois anos da criança. Entre os sinais mais comuns estão a dificuldade de brincar de “faz de conta”, de socializar com outras crianças e de comunicação (verbal e/ou não-verbal). É importante que se diga que quanto mais cedo o diagnóstico for confirmado por profissionais de saúde, mais cedo um tratamento adequado pode ser oferecido, e mais chances de inclusão daquela criança.
Assistente social de formação, a pesquisadora Ana Sarrizo, de Belo Horizonte, se deparou com um grupo de crianças autistas que faziam atividades educativas durante o contra turno escolar, em uma comunidade carente –e sem ferramentas adequadas às dificuldades que podem apresentar.
Ana passou, então, a estudar o tema: conversou com professores, pais, psicólogos. Durante o primeiro semestre do curso tecnólogo de Projetos Multimídia, na UniBH, na capital mineira, conheceu um professor que havia defendido, em sua tese, um jogo para crianças com TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção). Na mesma época, ficou sabendo de um prêmio da Fundação Santander para empreendedores e escreveu seu projeto: ficou em primeiro lugar, frente a mais de 17,6 mil propostas.
Com o prêmio de R$ 100 mil e uma bolsa no curso de empreendedorismo da Babson College, ela desenvolveu o aplicativo Brainy Mouse, com base no jogo do professor especializado em TDAH. Depois de 6 meses de versão Beta, período em que o jogo foi testado com crianças de Belo Horizonte, São Paulo e nos Estados Unidos, lançou o app –primeiramente na versão em inglês e, quatro meses mais tarde, em português.
“O game é para auxiliar na alfabetização, qualquer criança pode brincar. O que acontece é que jogo apresenta argumentos a crianças que apresentam esse tipo de deficiência que vão desen





