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terça-feira, 1 setembro, 2026

Segundo caso mundial de cura de paciente com HIV

De acordo com anúncio feito por médicos nesta terça-feira (10), um paciente portador do HIV foi submetido a um transplante de células-tronco e está curado, tornando-se o segundo no mundo a se recuperar da aids.

O primeiro caso confirmado de um paciente com HIV que conseguiu se livrar da doença foi a quase dez anos. Neste segundo caso, conhecido como “paciente de Londres”, não apresenta sinais do vírus há 30 meses, segundo publicado pela revista “The Lancet HIV”.

O professor Ravindra Gupta, da Universidade de Cambridge anunciou em março de 2019 que este homem diagnosticado soropositivo em 2003 estava em remissão, não mostrando sinais do vírus há 18 meses.

O médico pediu cautela, porém, e insistiu no termo remissão – e não cura -, pedindo mais tempo. Um ano depois, sua equipe deu esse passo.

Como o “paciente de Berlim”, o americano Timothy Ray Brown considerado curado em 2011, esse “paciente de Londres” foi submetido a um transplante de medula óssea para tratar um câncer de sangue e, assim, recebeu células-tronco de doadores portadores de uma mutação genética rara que impede o HIV de se estabelecer, o CCR5.

O fato de a cura do paciente de Berlim ter permanecido única por quase dez anos sugeriu a alguns que era apenas um golpe de sorte.

Procedimento arriscado

Enquanto isso, o paciente de Londres decidiu revelar sua identidade esta semana em uma entrevista ao jornal “The New York Times”.

“Quero ser um embaixador da esperança”, disse Adam Castillejo, de 40 anos, que cresceu em Caracas, na Venezuela.

Contudo, os pesquisadores reconhecem que seu método ainda não é uma solução para as milhões de pessoas que vivem com a doença em todo mundo e que a controlam com antirretrovirais por toda vida.

O procedimento usado para os dois pacientes curados é muito pesado e arriscado, além de levantar questões “éticas”, ressalta o professor Gupta.

“Temos que colocar na balança a taxa de mortalidade de 10% para um transplante de células-tronco e o risco de morte, se não fizermos nada”, segundo ele.

“Um trabalho como esse é importante para o desenvolvimento de estratégias de tratamento que possam ser mais amplamente aplicáveis”, comenta o dr. Andrew Freedman, da Universidade de Cardiff, que não está envolvido no estudo.

Outros cientistas são mais cautelosos.

“O paciente de Londres está realmente curado?”, questiona Sharon Lewin, da Universidade de Melbourne.

“Os dados (…) obviamente são empolgantes e encorajadores, mas, no final, apenas o tempo dirá”, observou, estimando ser necessário “mais do que um punhado de pacientes curados do HIV para avaliar a probabilidade de um retorno tardio e inesperado da replicação do vírus”.

O “paciente de Londres” também continuará a ser testado regularmente para monitorar um possível reaparecimento do vírus.

Quase 38 milhões de pessoas vivem com HIV em todo mundo, mas apenas 62% recebem terapia tripla. Quase 800.000 pessoas morreram em 2018 por doenças relacionadas à aids.

O surgimento de formas de HIV resistentes a medicamentos também é uma preocupação crescente.

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